Classificação de CV e PCC como organizações terroristas pelos EUA vira armadilha eleitoral
A discussão em curso nos Estados Unidos para classificar as facções Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas é a primeira grande armadilha de Donald Trump com impacto direto na campanha presidencial nas eleições de outubro de 2026 no Brasil.
Não há dúvida sobre a brutalidade das duas facções. Ambas são responsáveis por crimes bárbaros, incluindo ataques a civis, ações coordenadas de violência e domínio territorial armado. Ainda assim, pela legislação brasileira, CV e PCC não são enquadrados como organizações terroristas.
O motivo é jurídico: a lei antiterrorismo no Brasil exige motivação política com objetivo de desestabilizar ou derrubar o Estado, algo que não caracteriza essas facções, cujo foco é o lucro por meio do crime organizado.
É justamente aí que está a armadilha.
Caso o governo brasileiro explique essa diferença jurídica ao governo americano, a narrativa pode ser distorcida no debate interno. A oposição, especialmente o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), tende a sustentar que o governo Lula estaria “protegendo” o CV e o PCC, ainda que essa interpretação não tenha base na legislação.
DISCUSSÃO NOS EUA
Segundo fontes do governo ouvidas pela GloboNews, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na noite de domingo (8), para tratar da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington.
Além da viagem, Vieira colocou em pauta outra questão importante para o governo brasileiro: evitar que os Estados Unidos classifiquem facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho (CV), como Organizações Terroristas Estrangeiras.
Em caráter reservado, diplomatas mencionam o temor de que os Estados Unidos utilizem o combate ao narcotráfico e a classificação de grupos como terroristas para justificar operações militares na região.




