Integrantes da cúpula do PT veem a proposta dos Estados Unidos de equiparar facções brasileiras a organizações terroristas como uma primeira tentativa do presidente Donald Trump de interferir nas eleições presidenciais deste ano no Brasil.
Rechaçada pelo governo Lula, a ideia tem o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. A sigla e o próprio Palácio do Planalto sempre trataram como possibilidade uma ofensiva de Trump na disputa presidencial no Brasil, na tentativa de projetar a direita na América Latina.
O diálogo que vem sendo aberto entre Trump e Lula desde a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em setembro do ano passado, deu algum alívio para o entorno do presidente brasileiro. Porém, a retomada da possibilidade da proposta de classificar grupos como PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas voltou a elevar a desconfiança sobre as intenções do americano.
No domingo (8), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre uma parceria para o combate ao crime organizado. O tema deve ser um dos pontos principais de uma visita de Lula a Trump, que ainda não tem data marcada devido à guerra com o Irã.
Ao mesmo tempo em que busca preservar o diálogo com Trump, o governo brasileiro tenta evitar que facções sejam classificadas como organizações terroristas com o argumento de que a medida impõe risco à soberania e pode acarretar consequências graves, incluindo ações militares e sanções comerciais.
O próprio Lula, em conversa com Trump em dezembro, já havia tratado do combate às facções. O objetivo do governo é atrair os EUA para uma parceria no combate ao crime organizado. O presidente do PT, Edinho Silva, destaca: “O Brasil não é um puxadinho de Trump. Cuidado, a soberania brasileira não pode ser atacada”.
Em maio de 2025, Flávio Bolsonaro entregou um dossiê elaborado pelas Secretarias de Segurança Pública do Rio de Janeiro e de São Paulo a emissários americanos, relacionando as atuações das facções ao terrorismo. Congresso aprovou a Lei Antifacção e avança com a PEC da Segurança Pública, argumentos contra a equiparação das facções a organizações terroristas.
Lula busca dialogar com Trump em meio à tensão. A proposta americana é vista como interferência na eleição brasileira. A tentativa de equiparar facções a terroristas é rejeitada pelo governo e tem apoio de Bolsonaro, gerando preocupações sobre as consequências para o país.
A proposta dos EUA é vista como tentativa de interferência na eleição do Brasil. Palácio do Planalto e PT tratam a questão com cautela, evitando a classificação das facções como terroristas. Continuarão as negociações em busca de uma parceria para combater o crime organizado.




