Travestis presas por integrarem quadrilha do ‘golpe do amor’ causam polêmica na Baixada Santista

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Travestis são presas suspeitas de integrarem quadrilha do ‘golpe do amor’

A advogada Paula Funchal, responsável pela defesa de três travestis investigadas por integrar uma quadrilha que teria extorquido um homem de 52 anos na Baixada Santista, afirma que não houve sequestro nem extorsão por parte de suas clientes. Segundo ela, o homem foi ao local por vontade própria e as relações foram consensuais. A polícia, porém, mantém a linha de investigação por extorsão mediante sequestro, conforme boletim de ocorrência.

De acordo com a apuração policial, o homem teria sido vítima do chamado “golpe do amor”. Ele marcou encontro com uma mulher em uma casa na Vila Mateo Bei, em São Vicente (SP), em dezembro de 2025. Após contratar os serviços, a travesti passou a exigir mais de R$ 7 mil ao descobrir que ele era casado. A ocorrência foi registrada como extorsão mediante sequestro.

ÃO DIZ A DEFESA

Ao DE, Paula Funchal afirmou que a versão de sequestro e extorsão não corresponde ao que ocorreu. Segundo a defesa, prints de mensagens e vídeos apresentados pelas investigadas mostram o homem marcando o encontro e chegando ao local sem indícios de coação. A advogada sustentou que a extorsão teria sido praticada por uma quarta mulher, que teria manipulado a situação.

Entre os elementos citados pela defesa está uma transferência de R$ 1 mil via Pix para a conta da investigada que alugou o imóvel. De acordo com a advogada, o valor seria apenas o pagamento do aluguel da casa, previamente combinado para a realização dos programas.

A defesa também alegou que a primeira saída do denunciante com uma das investigadas para sacar dinheiro ocorreu de forma tranquila e consensual, o que, segundo ela, afastaria hipótese de cárcere ou sequestro.

PRISÃO E SITUAÇÃO DAS INVESTIGADAS

As três travestis foram detidas na sexta-feira (6) e levadas ao 2º Departamento de Polícia (DP) de Cubatão e prestaram depoimento. Duas foram liberadas no mesmo dia, devendo responder ao processo em liberdade. A terceira permanece presa temporariamente.

“Elas já têm (passagem policial), da mesma natureza, de constranger vítimas depois de programas. Continuam com esse mesmo modus operandi, que desencadeou uma operação”, explicou o delegado Wagner Camargo, em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo.

Segundo a polícia, no endereço onde foi cumprido o mandado funciona um imóvel no qual diversas travestis realizam programas sexuais. As investigações apontam que outras suspeitas também são investigadas por participarem da quadrilha de extorsão.

A advogada das travestis alegou que a prisão temporária de uma das clientes é desproporcional, já que a única participação teria sido alugar o imóvel onde o encontro ocorreu. Paula Funchal informou que aguarda o acesso aos autos para analisar as provas.

ALERTA

O delegado Wagner Camargo ressaltou a ação trata-se de um “crime patrimonial gravíssimo, considerado crime hediondo”. Ele ainda fez um alerta sobre os riscos dos sites usados para encontros amorosos.

“Que as vítimas, que a sociedade tome cuidado com sites de relacionamentos amorosos, de marcar encontros, seja qual opção sexual for. Os crimes estão acontecendo. Às vezes, marca um encontro com uma pessoa com uma foto, e chega no local é outra, é uma quadrilha”, disse.

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