Operação da PF combate corrupção eleitoral em São Miguel do Iguaçu

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PF faz operação contra corrupção eleitoral em São Miguel do Iguaçu

A Polícia Federal afastou cinco servidores da prefeitura de São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná, durante uma operação realizada nesta terça-feira (10).

A medida foi determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná após investigação que apura ameaças contra a ex-candidata à prefeitura Rejane Christ (União) e suspeitas de compra de votos nas eleições municipais de 2024.

Os servidores foram afastados por 180 dias, com perda de salário. Entre eles estão servidores que ocupavam cargos de chefia em áreas como sinalização viária, iniciação esportiva e a Secretaria de Viação, além de uma servidora da área da saúde responsável por agendar consultas e exames.

Os nomes dos servidores não foram divulgados pela Polícia Federal.

Segundo a polícia, além dos afastamentos, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão.

Durante as buscas, os agentes apreenderam celulares, computadores, documentos e uma arma de fogo com munições.

AMEAÇAS CONTRA CANDIDATA

A operação investiga ameaças e perseguições contra a ex-candidata à prefeitura Rejane Christ, do União Brasil, durante a campanha eleitoral de 2024.

De acordo com as investigações, a candidata foi alvo de ameaças de morte, perseguição de veículos e emboscadas durante o período eleitoral.

Em um dos episódios, ela recebeu um bilhete com a frase “Desista, professorinha” acompanhado de uma bala de revólver.

Por causa das ameaças, a segurança da candidata foi reforçada e houve aumento do efetivo policial durante o período da eleição.

SUSPEITA DE COMPRA DE VOTOS

A Polícia Federal também apura indícios de compra de votos e uso indevido da estrutura da prefeitura para beneficiar aliados políticos.

Segundo os investigadores, há suspeita de liberação irregular de consultas e exames médicos em troca de apoio eleitoral, além de nomeações para cargos comissionados ligadas ao esquema.

Os investigados podem responder por corrupção eleitoral, violência política de gênero, associação criminosa armada e transporte irregular de eleitores.

VIOLÊNCIA POLÍTICA DE GÊNERO É CRIME DESDE 2021

A operação acontece no ano em que a Lei nº 14.192/2021, que criminaliza a violência política de gênero, completa quatro anos. A norma alterou o Código Eleitoral e estabeleceu mecanismos para prevenir, reprimir e combater a violência contra mulheres no exercício de seus direitos políticos.

A legislação também garante a participação de mulheres em debates eleitorais e prevê punição para a divulgação de informações falsas ou vídeos inverídicos durante a campanha.

Desde a criação da lei, até o ano de 2024, o Grupo de Trabalho de Prevenção e Combate à Violência Política de Gênero (GT-VPG), vinculado ao Ministério Público Federal (MPF), recebeu 215 denúncias em todo o país — uma média de seis por mês. Os casos envolvem ofensas, transfobia, agressões físicas, violência psicológica, moral e sexual.

Mulheres que sintam vítimas de violência política de gênero podem denunciar os episódios por meio do canal oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Mesmo representando 51% da população paranaense, as mulheres seguem sub-representadas na política local. Das 399 cidades do estado, 72% (287 municípios) não elegeram nenhuma mulher para o cargo de prefeita desde o ano 2000, segundo dados do TSE.

Em 2020, apenas 9% (37) prefeitas foram eleitas no Paraná. Em 2024, as mulheres representaram 13% das candidaturas e o número pleitos permanece o mesmo, apenas 9% (36) foram eleitas para os cargos de chefia do Executivo municipal.

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