Em meio à discussão sobre recentes casos de violência contra a mulher, a Câmara dos Deputados possui ao menos 36 projetos de lei que tratam sobre misoginia em tramitação. A maioria das propostas está parada à espera de distribuição para alguma comissão da Casa ou de parecer dos relatores.
O termo misoginia é usado para descrever ódio, desprezo ou preconceito direcionado às mulheres por causa do gênero. Os textos tratam de temas como o combate à incitação à violência contra a mulher, a desmonetização ou remoção de conteúdos ligados a grupos “red pills” nas redes sociais e a tipificação criminal de teorias misóginas.
Levantamento feito pela Globonews indentificou que, entre as propostas, 33 são assinadas por parlamentares mulheres. A mais antiga delas, apresentada pela deputada Erika Kokay (PT-DF) em 2016, trata da publicidade de conteúdos de cunho misógino, sexista ou que estimule agressão ou violência sexual.
Polícia Federal investiga vídeos em redes sociais que incitam violência contra mulheres
Já um projeto apresentado pela deputada Ana Perugini (PT-SP), está pronto para ir ao plenário e inclui a misoginia como crime resultante de preconceito, os ‘crimes de ódio’. Outras cinco propostas estão prontas para análise do plenário da Câmara.
Apenas no dia 6 de março deste ano, 8 projetos sobre o tema foram protocolados. A diretora-executiva da ONG Serenas, Amanda Sadalla, entende que a cooptação de meninos cada vez mais jovens para grupos “masculinistas” exige uma resposta.
Avanço no Senado
A Comissão de Direitos Humanos do Senado pode analisar na quarta-feira (11) uma proposta que criminaliza a misoginia no Brasil. O projeto de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) altera a Lei do Racismo para incluir a misoginia como crime de discriminação e cria a Política Nacional de Combate à Misoginia.
O senador argumentou que a definição de misoginia adotada no texto é ampla e imprecisa, abrindo espaço para criminalizar condutas que não configuram ódio às mulheres. Em outubro de 2025, a senadora denunciou que recebeu ameaças de morte nas redes sociais por causa do projeto.




