Banqueiro Daniel Vorcaro repassou R$ 700 milhões para offshore nas Ilhas Cayman, mostra relatório Coaf

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Empresas ligadas a Daniel Vorcaro repassaram mais de R$ 700 milhões em ativos do banco Master para uma offshore com sede nas Ilhas Cayman da qual o banqueiro é sócio, aponta relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) com base em dados bancários.

A informação foi divulgada pelo jornal “O Globo” nesta quarta-feira (11). O DE também teve acesso aos dados.

O Banco Master, de Daniel Vorcaro, está no centro de uma investigação da Polícia Federal, a Compliance Zero, sobre fraudes financeiras bilionárias com títulos podres e outras irregularidades.

Os repasses feitos por fundos ligados ao banqueiro ocorreram em 2025 e tiveram, como destinatários, a Titan Capital Holding, sediada no paraíso fiscal e fundada em 12 de setembro de 2024, e fundos da Titan.

Paraíso fiscal e Sociedades

Um paraíso fiscal é um país que oferece condições tributárias e jurídicas extremamente favoráveis para atrair capital estrangeiro.

A Titan Capital Holding tem Daniel Vorcaro como acionista. Angelo Antonio Ribeiro Da Silva, que era do quadro societário do Master, e Luiz Antonio Bull, ex-diretor do banco de Vorcaro, aparecem como sócios da offshore.

Na semana passada, o Banco Central decretou a indisponibilidade dos bens da Titan Capital Holding. A medida bloqueia o patrimônio da offshore, impedindo a venda, doação ou transferência de ativos.

Transações suspeitas

O primeiro repasse para a Titan ocorreu em 31 de janeiro de 2025, quando o Fundo Quiron, administrado pela Reag, realizou uma transferência de cotas que eram do Banco Master para a empresa nas Ilhas Cayman, no valor de R$ 85 milhões.

No mês seguinte, no dia 28 de fevereiro, o Fundo Saint German, também administrado pela Reag e que tem como acionista a própria Titan, recebeu cotas que eram do Banco Master, no valor de R$ 66 milhões.

Meses depois, no dia 2 de abril, a GSR Fundo de Investimento, cujo acionista único é outro fundo da Reag, o Astralo 95, transferiu R$ 555,7 milhões para o Fundo Krispy, que tem como único acionista a Titan.

Valores expressivos

Somando as três operações, o valor total é dessas três transferências totalizam R$ 707,1 milhões.

Além de receber os mais de R$ 700 milhões, a Titan transferiu, em 14 de julho de 2025, R$ 315 milhões para o Fundo Tessália – também relacionado ao Master e acionista do grupo médico Oncoclínicas.

Após o escândalo do Master, o grupo Oncoclínicas, que tem o banco como acionista, informou que tinha R$ 433 milhões investidos em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) do Master.

Situação atual

Os CDBs são títulos de renda fixa emitidos por bancos para captar recursos e financiar suas atividades.

Fachada do Banco Master na Faria Lima e Daniel Vorcaro — Foto: Amanda Perobelli/Reuters; Reprodução

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