MPRJ denuncia PMs por invadir e arrombar casas no Alemão durante megaoperação

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O Ministério Público denunciou 10 policiais militares por invadirem residências durante a megaoperação no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, que terminou com 122 mortos em outubro do ano passado. A ação se tornou a operação policial mais letal já registrada no país.

Os agentes denunciados pelo MP junto à Auditoria de Justiça Militar são do Batalhão de Ações Com Cães (BAC): um subtenente, seis sargentos, um cabo e dois soldados. O uso de ferramentas para abrir portas fez investigadores do MP desconfiarem que a ação foi premeditada.

Um vídeo de uma câmera corporal mostra um dos policiais usando uma chave micha, uma ferramenta capaz de abrir portas sem a chave original. Ele insiste por cerca de um minuto.

TENTATIVAS DE BLOQUEAR CÂMERAS

Mesmo com o uso obrigatório das câmeras corporais, pelo menos, cinco dos 10 PMS envolvidos no caso impediram que o trabalho deles fosse registrado durante a operação.

“A equipe tá com câmera”, diz um policial, tapando a lente. A câmera também foi retirada do uniforme e deixada no chão por cerca de três minutos.

No dia 23 de fevereiro, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, deu um prazo de mais 20 dias para o Rio de Janeiro enviar as imagens das câmeras da megaoperação.

PMS LEVAM BEBIDAS E OUTROS ITENS

Um dos vídeos mostra PMs, ao invadir a casa na Vila Cruzeiro, abrindo a geladeira e consumindo bebidas, com deboche e ironia.

Outro vídeo mostra que um PM saiu de uma casa carregando várias coisas enroladas em um cobertor. O que havia lá dentro ainda é um mistério para os investigadores, mas foi dividido entre os policiais logo depois.

POLICIAIS FICAM EM SILÊNCIO

Durante as investigações, a maioria dos policiais ficou em silêncio ao prestar depoimentos. Quem falou não conseguiu explicar os motivos de utilizar uma chave micha para ingressarem em qualquer casa.

Segundo a PM, partiu da Corregedoria-Geral da corporação a iniciativa de investigar a conduta dos agentes. A corporação disse ainda que aguarda a decisão da justiça para a adoção das medidas cabíveis.

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