O ministro do STF Alexandre de Moraes negou o pedido da defesa de Jair Bolsonaro para que Darren Beattie, assessor sênior do governo Trump, o visitasse na prisão. A decisão foi baseada na observação do Ministério das Relações Exteriores sobre indevida ingerência em assuntos internos em ano eleitoral.
O chanceler brasileiro Mauro Vieira afirmou que a visita não estava no contexto diplomático autorizado para o visto de Beattie nem foi comunicada previamente às autoridades brasileiras. Beattie viria ao Brasil para um fórum sobre minerais críticos, mas a visita a Bolsonaro não estava inclusa nesses objetivos comunicados oficialmente.
Beattie é assessor sênior para política em relação ao Brasil no Departamento de Estado dos EUA. O assessor já criticou Moraes em ocasiões anteriores, chamando-o de “coração da perseguição” a Bolsonaro.
O pedido de visita foi recusado após a defesa de Bolsonaro tentar alterar a data estabelecida por Moraes. A solicitação original permitia a visita no dia 18 de março no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, porém os advogados requisitaram mudanças para datas fora do calendário regular da unidade prisional.
Não havendo comunicação prévia ao Itamaraty sobre a visita de Beattie, Moraes considerou a situação como potencial ingerência em assuntos internos do Brasil. A defesa argumentou que a rígida agenda diplomática de Beattie inviabilizava a visita na data estabelecida pelo ministro.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil declarou que a concessão do visto ocorreu com base na justificativa apresentada pelo Departamento de Estado dos EUA, sem menção a possíveis encontros não relacionados aos objetivos originais comunicados.
Moraes havia solicitado informações ao ministro de Lula sobre a agenda diplomática de Beattie no Brasil logo após a defesa de Bolsonaro tentar alterar a data da visita permitida pelo ministro do STF. As datas solicitadas pelos advogados estavam fora do calendário regular de visitas da unidade prisional, o que gerou a difícil decisão de Moraes diante da situação.
Com Moraes negando a visita de Beattie a Bolsonaro, a situação coloca em destaque a relação diplomática entre Brasil e EUA e a influência externa em assuntos políticos internos. A recusa da visita ressalta a importância do cumprimento de procedimentos diplomáticos e a autonomia do Brasil em decisões referentes a visitas de autoridades estrangeiras em solo brasileiro.




