Esquema de corrupção no Ceará envolvendo deputado e ex-prefeito

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Um relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), no final de janeiro deste ano, revelou um suposto esquema de negociação de emendas parlamentares, fraudes a licitações de prefeituras e financiamentos ilegais de campanhas eleitorais no Ceará. O grupo criminoso seria liderado pelo ex-prefeito de Choró, Bebeto Queiroz (PSB), foragido há mais de um ano, e pelo deputado federal Júnior Mano (PSB), pré-candidato ao Senado pelo Ceará nas eleições deste ano.

De acordo com o relatório da PF, Carlos Alberto Queiroz, o Bebeto, era o responsável por intermediar a destinação das emendas parlamentares do deputado Júnior Mano para prefeituras alinhadas ao grupo. O suspeito também negociava uma porcentagem da emenda que ficava com o grupo, uma “taxa” que variava entre 12 e 15% do recurso.

As investigações apontam que Bebeto utilizava várias empresas, que tinham contratos com diversas prefeituras do interior do Ceará, para desviar recursos que eram utilizados tanto para enriquecimento ilícito quanto para financiar campanhas eleitorais de aliados, por meio de práticas como a compra de votos. Depois, as mesmas empresas conseguiam contratos nas prefeituras dos aliados eleitos.

Esquema de negociação de emendas e fraudes

Em julho de 2025, Júnior Mano foi alvo de uma operação da PF que investigava um esquema de fraudes em licitações no Ceará. Bebeto Queiroz foi preso em novembro de 2024, antes de tomar posse como prefeito de Choró, por suspeita de chefiar um esquema criminoso de fraudes em contratos. Porém, Bebeto foi solto após alguns dias e foi alvo de novo mandado de prisão – que ainda não foi cumprido, em quase um ano e meio.

Por meio de nota, a assessoria jurídica do deputado Júnior Mano disse que a investigação da Polícia Federal “nada encontrou de relevante contra o deputado” e lamentou o “vazamento seletivo de informações sigilosas justamente num momento em que os partidos começam a definir as candidaturas para as eleições deste ano”.

A defesa de Bebeto Queiroz, que está foragido há mais de um ano, disse que somente iria se manifestar nos autos.

Como funcionava o esquema

De acordo com a Polícia Federal, o deputado Júnior Mano e o ex-prefeito Bebeto operavam o esquema de distribuição de emendas parlamentares com cobrança de retorno financeiro. A PF indica que a estrutura montada por Bebeto já existia antes da entrada de Júnior Mano. Com sua chegada, porém, o deputado passou a contribuir com recursos que ampliaram o alcance do esquema.

“A partir da influência de Junior Mano na captação de emendas, o grupo de Bebeto direcionava os recursos para determinados municípios estratégicos, onde a alocação financeira serviria de base para a cooptação política de prefeitos e a posterior manipulação dos processos de contratação pública”, diz o relatório da PF, ao qual o g1 teve acesso.

Extensão do esquema

Os investigadores encontraram uma lista com pelo menos 71 prefeituras do Ceará que estariam vinculadas ao deputado. Destas, os candidatos apoiados pelo grupo teriam sido eleitos em aproximadamente 50 cidades. Não está claro se eles receberam dinheiro do esquema.

O próprio Bebeto concorreu e foi eleito prefeito de Choró em 2024, mas foi preso em novembro daquele ano, antes da posse. Ele foi solto em dezembro, após dez dias na cadeia, e fugiu logo depois. Ele está foragido desde então.

A investigação aponta que o município de Choró, a base política de Bebeto, era o centro das operações do político. No entanto, sua atuação se estendia para dezenas municípios e envolvia diversas empresas.