Polícia Federal revela conversas entre Wesley Safadão e deputado: esquema de fraudes e patrocínio de shows.

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A Polícia Federal encontrou conversas entre Wesley Safadão e familiares e
o deputado federal Júnior Mano. — Foto: Reprodução; Divulgação/ Câmara dos
Deputados.

O relatório da Polícia Federal que apontou o envolvimento do deputado federal
Júnior Mano (PSB) em um esquema de negociação de emendas parlamentares, fraudes a licitações de prefeituras e financiamentos ilegais de campanhas eleitorais no Ceará também mostrou que o parlamentar mantinha negociações constantes com o cantor Wesley Safadão e sua família.

As conversas encontradas no aparelho celular do parlamentar mostram que Júnior
Mano solicitou patrocínio de R$ 200 mil a uma empresa de Safadão, pouco após o
artista fechar contrato para show na cidade de Nova Russas, que tem como
prefeita a esposa do deputado, Giordanna Mano (PRD).

PATROCÍNIO E AVIÃO

De acordo com o relatório da PF, Carlos Alberto Queiroz, o Bebeto, era o
responsável por intermediar a destinação das emendas parlamentares do deputado
Júnior Mano para prefeituras alinhadas ao grupo. O suspeito também negociava uma
porcentagem da emenda que ficava com o grupo, uma “taxa” que variava entre 12 e
15% do recurso.

As investigações apontam que Bebeto utilizava várias empresas, que tinham
contratos com diversas prefeituras do interior do Ceará, para desviar recursos que eram utilizados tanto para enriquecimento ilícito quanto para financiar campanhas eleitorais de aliados, por meio de práticas como a compra de votos. Depois, as mesmas empresas conseguiam contratos nas prefeituras dos aliados eleitos.

Júnior Mano também aparece discutindo apoios políticos com o irmão de Safadão,
Yvens Watilla, e pedindo ao Ministério dos Portos e Aeroportos a liberação de
aeronaves do cantor para que ele pudesse usar durante a campanha eleitoral.

O relatório da PF sugere que o pedido de patrocínio de Júnior Mano para Safadão,
na verdade, se trata “de solicitação camuflada de propina, com devolução de
parte do valor contratado”, em referência aos shows contratados pela prefeitura
de Nova Russas.

Ainda em 2024, Júnior Mano falou diretamente com o ministro dos Portos e
Aeroportos, Silvio Costa Filho, pedindo que ele acelerasse a liberação, pela
Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), de duas aeronaves de Safadão que
seriam usadas pelo deputado nas eleições de 2024. “Vou andar nesse [avião] menor
nas campanhas, não aguento mais carro”, disse o parlamentar ao ministro.

Outras conversas mostram a proximidade do parlamentar com Yvens Watilla, irmão
de Safadão e administrador da sua carreira. Ao longo de uma série de conversas,
Watilla e Júnior discutem quem apoiar em determinadas prefeituras, citam
movimentações financeiras e pedidos para que o irmão do cantor fizesse
intermediação com determinados políticos em prefeituras do interior.

COMO FUNCIONAVA SUPOSTO ESQUEMA CRIMINOSO

De acordo com a Polícia Federal, o deputado Júnior Mano e o ex-prefeito Bebeto
operavam o esquema de distribuição de emendas parlamentares com cobrança de
retorno financeiro. A PF indica que a estrutura montada por Bebeto já existia
antes da entrada de Júnior Mano. Com sua chegada, porém, o deputado passou a
contribuir com recursos que ampliaram o alcance do esquema.

O grupo ficava com parte do dinheiro das emendas, valor que variava entre 12 e
15% do recurso. Além disso, o caixa das empresas envolvidas era utilizado para
movimentações financeiras expressivas, com o envio de milhares de reais tanto
por transações via Pix quanto no saque de dinheiro vivo.

Os investigadores encontraram uma lista com pelo menos 71 prefeituras do Ceará
que estariam vinculadas ao deputado. Destas, os candidatos apoiados pelo grupo
teriam sido eleitos em aproximadamente 50 cidades. Não está claro se os
políticos receberam dinheiro do esquema.

Júnior Mano:

* Depois de um ano de uma ruidosa investigação, a Polícia Federal nada encontrou de relevante contra o deputado Júnior Mano. As conclusões do
relatório final são exageradas, genéricas e sem provas. Júnior Mano não é
ordenador de despesas, não participou de licitações e, portanto, não tem
como controlar a aplicação final de recursos federais. O deputado reafirma,
com firmeza, que não cometeu qualquer irregularidade. É lamentável o
vazamento seletivo de informações sigilosas justamente num momento em que os
partidos começam a definir as candidaturas para as eleições deste ano.
Esperamos que o inquérito aberto pela PF para apurar o vazamento de dados
protegidos por sigilo apresente uma resposta clara contra o uso de
informações processuais com fins políticos.

Wesley Safadão:

* Wesley Safadão não possui qualquer envolvimento político com as pessoas
mencionadas. A troca de mensagens divulgada entre o deputado Júnior Mano e o
artista diz respeito exclusivamente a um pedido de patrocínio encaminhado ao
cantor, algo comum dentro do ambiente de eventos e entretenimento. Não houve,
por parte de Wesley, qualquer participação em articulações políticas, apoio a
iniciativas dessa natureza ou relação com decisões institucionais. O artista
segue dedicado integralmente à sua carreira musical e aos seus projetos
profissionais.

Bebeto Queiroz:

* A defesa do Senhor Carlos Alberto esclarece que todas as manifestações são
apresentadas exclusivamente nos procedimentos respectivos, foro adequado para
o debate das questões em análise.