Moradora do DF comemora transplante de coração depois de 5 anos com insuficiência cardíaca
Um “novo sopro de vida”. É como Fabíola Pessoa, de 41 anos, define a sensação de ter recebido um novo coração através de um transplante. A cirurgia bem-sucedida completou um mês nesta sexta-feira (13).
Ela sofria problemas cardíacos desde fevereiro de 2021, quando teve um infarto grave durante uma gestação. Na época, além de perder o bebê, Fabíola ficou com insuficiência cardíaca grave. Durante quatro anos, viveu sob acompanhamento médico constante.
O médico cardiologista Vitor Barzilai acompanhou todo o tratamento de Fabíola. Ela precisou implantar três stents – um pequeno tubo em forma de malha usado para manter vasos sanguíneos estreitos ou enfraquecidos abertos, funcionando como um suporte que garante o fluxo normal de sangue.
Fabíola também fez tratamento com ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea): um suporte vital avançado que funciona como um coração e pulmão artificiais para pacientes com falência respiratória ou cardíaca grave. A ECMO oxigena o sangue fora do corpo, permitindo o descanso e a recuperação dos órgãos.
Mesmo assim, no início de 2025, ela teve uma nova piora do quadro, desencadeada por uma infecção após uma picada de aranha. De acordo com o médico Vitor Barzilai, o transplante de coração seria a única alternativa para garantir a sobrevivência de Fabíola.
DO TRANSPLANTE À ALTA MÉDICA
Fabíola estava na fila para receber o transplante de coração desde setembro de 2025. Com a piora do quadro em janeiro deste ano, ela entrou para a lista de prioridade, e em três semanas conseguiu fazer a cirurgia.
O órgão veio de São Mateus, no Espírito Santo, em uma operação que mobilizou equipes médicas e de apoio entre dois estados. O coração chegou ao Hospital Brasília, no dia 13 de fevereiro, por volta das 9h, com apoio do helicóptero da Polícia Civil do Distrito Federal, e o transplante foi logo em seguida.
Fabíola ficou internada, em recuperação no Hospital Brasília, por mais duas semanas, depois do transplante. Ela recebeu alta e foi para casa no dia 27 de fevereiro.
Segundo Fabíola, foram anos de muita dor e incertezas com relação à saúde. “Além da dor de ter perdido um filho, o Leo, que virou uma estrelinha no céu, eu vivi muito debilitada durante esse tempo, muito limitada funcionalmente”.
VIDA NOVA
Depois do transplante, ela diz se sentir como nova. “Agora, é como se tudo fosse possível. Voltei a fazer coisas simples sem cansaço. Esse novo coração representa vida”.
E tudo isso graças a uma família que disse sim à doação de órgãos. Pessoas que tiveram uma coragem e um amor muito grande de dizer sim e salvar outra vida, mesmo diante da dor da perda. Eu faço até um apelo para que as pessoas não tenham medo de ser doadoras de órgãos, porque esse ato é como salvar e perpetuar a vida, e pessoas que precisam, como eu, agradecem”, comemora Fabíola.




