Congressistas aliados do ex-presidente devem se reunir a partir desta segunda-feira (16) para discutir uma estratégia de pressão sobre o Supremo, afirmou o líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB). Ele avalia que a saúde do presidente leva o tom das críticas à corte a subir ainda mais.
Moraes rejeitou neste mês um pedido da defesa de Bolsonaro para que o ex-presidente seja transferido da unidade conhecida como Papudinha para casa. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), porém, já avisou que apresentará uma nova solicitação ao STF. O pedido deve vir junto com uma estratégia da oposição de disparar ataques à corte.
“Vamos continuar pressionando politicamente até o presidente ficar em casa, para que ele possa ter mais dias de vida”, declarou Cabo Gilberto Silva. “A Suprema Corte está envolvida em diversos escândalos de corrupção, tráfico de influência, decisões arbitrárias, perseguição. A gente vai bater pesado nesse sentido”, acrescentou o deputado.
O ex-presidente foi internado no hospital DF Star, na capital federal, com uma broncopneumonia na última sexta-feira (13). Os médicos dizem que o caso é grave e que ainda não é possível estimar quando ele terá alta. O ex-mandatário tem um histórico de internações e cirurgias desde 2018, quando foi vítima de uma facada durante a campanha presidencial.
Boletim médico divulgado no domingo (15) afirma que o ex-presidente está clinicamente estável e teve melhora na função renal. Apesar disso, os médicos relatam que os marcadores inflamatórios do sangue do ex-presidente estão elevados, o que levou à ampliação da cobertura de antibióticos.
A fragilidade da saúde também levou congressistas a sondar ministros do STF sobre a possibilidade de o ex-presidente ser colocado em prisão domiciliar. Esses políticos, ouvidos sob reserva, avaliam que a chance de Bolsonaro ser enviado para casa permanece pequena.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não quer convocar uma sessão do Congresso Nacional em que o veto poderia ser derrubado, porque há assinaturas suficientes para a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista para investigar o escândalo do Banco Master. Relator do projeto que reduz penas, o deputado Paulinho da Força (SD-SP) defende que seja feito um acordo para que o veto seja deliberado sem instalar a CPI. “Deveria derrubar o veto do Lula, que ele fez para fazer política. Fazer uma coisa por vez”, declarou à Folha.
Bolsonaro cumpre pena na Papudinha, como é conhecido um dos batalhões da Polícia Militar de Brasília. Ele foi condenado por tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.




