Mesmo com a torcida e esperança brasileira, o Brasil não levou nenhuma das cinco categorias que disputava no Oscar 2026. O filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, perdeu em Melhor Elenco para Uma Batalha Após a Outra, em Melhor Filme Internacional para Valor Sentimental e em Melhor Ator e Melhor Filme para Pecadores. O diretor de fotografia Adolpho Veloso também não levou a estatueta pelo filme estadunidense Sonhos de Trem.
Especialistas afirmam que, apesar das derrotas no Oscar, o filme brasileiro tem muito o que comemorar. A avaliação é de que a trajetória do longa nacional até a maior premiação do cinema mundial alavanca ainda mais a importância da arte feita no Brasil, enquanto as perdas não invalidam a relevância do potencial dos profissionais brasileiros.
Reações iniciais
“O Agente Secreto já produziu um efeito estrutural. O simples fato de ter circulado com força no circuito internacional, acumulando indicações e vitórias relevantes, especialmente em festivais como o Festival de Cannes, reposiciona o cinema brasileiro como potência criativa contemporânea, não apenas como memória de um passado glorioso”, afirma Gabriel Amora, jornalista e crítico de cinema.
“Não existe um panorama em que O Agente Secreto saia moralmente derrotado. A campanha foi muito bem-sucedida”, completa Cyntia Calhado pesquisadora e professora universitária do curso de Cinema e Audiovisual da ESPM.
É importante lembrar que, para além das indicações de Ainda Estou Aqui — vencedor da categoria Melhor Filme Internacional no Oscar 2025 — e O Agente Secreto, o Brasil já foi indicado ao Oscar outras 13 vezes nas mais diversas categorias, considerando filmes nacionais e coproduções com outros países.
Desdobramentos e conexões
A cineasta Cíntia Domit Bittar garante que o destaque em premiações internacionais também causa impacto direto na indústria, “como o fortalecimento da receptividade ao cinema brasileiro independente dentro do próprio país, ampliando o interesse do público e a busca por filmes nacionais”.
O título brasileiro ganhou destaque em premiações como Critics Choice Awards e Globo de Ouro. No ano passado, o longa Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, conquistou o mesmo feito, levando a categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2025.
Consequências específicas
“No momento, O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui se configuram como exceções. O cinema brasileiro sempre produziu obras extraordinárias, mas o reconhecimento internacional em escala industrial depende de continuidade, de políticas públicas estáveis e de estratégias consistentes de circulação. Sem isso, cada conquista pode ser tratada como um evento isolado, e não como parte de uma presença permanente”, pondera Cíntia.
Para os especialistas, a permanência de filmes brasileiros em destaque mundial depende da reorganização para transformar prestígio em política de continuidade.



