Polarização não é o maior problema: empate entre Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas

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Um teimoso empate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vem marcando as pesquisas sobre o segundo turno. É difícil imaginar algum evento sensacional (facada? Mala de dólares? Encontros com Jeffrey Epstein? Problema de saúde?) capaz de modificar esse quadro.

A tão temida polarização é algo absolutamente normal e rotineiro nas democracias. Na Itália do pós-guerra, comunistas e católicos viveram às turras durante cinco décadas. A França não era diferente, e bem antes disso o caso Dreyfus, opondo antissemitas monarquistas a republicanos anticlericais, teve o mesmo poder de inviabilizar almoços de família e dissolver amizades que, por aqui, verificou-se com a ascensão de Bolsonaro.

O país se divide em duas metades que se rejeitam e nada, pelo que parece, fará com que mudem de lugar. A polarização começa a preocupar, na verdade, não quando as opiniões políticas se tornam incompatíveis, mas sim quando um lado simplesmente não se conforma em aceitar a vitória do outro.

Um pouco por hábito, chamamos isso de “polarização”, fenômeno que as pessoas de bom senso costumam lamentar. O problema não é exatamente a polarização. Em certa medida, esses rancores e antipatias são inseparáveis do debate político.

A hipótese de um segundo turno a ser decidido milimetricamente levanta questões sobre o discurso e a mobilização em caso de derrota. No meio da polarização, não se sabe qual lado, de Lula ou Bolsonaro, irá perder mais votos com os escândalos mais recentes, e com muitos outros que virão.

Quanto a Flávio Bolsonaro, não vejo em que direção ele pode ampliar seu eleitorado, além da base que o sustentará para sempre, ou que sustentará qualquer candidato que surja em seu lugar. O irônico, mas isso é outro capítulo da história, é que, no meio de toda essa polarização, não se sabe qual lado, o de Lula ou o de Bolsonaro, irá perder mais votos com os escândalos mais recentes (INSS, Banco Master), e com os muitos outros que virão.

Uma sociedade polarizada pode ser até saudável, se se preservam as condições para a alternância de poder. O que havia a criticar, em casos como esses, não era a polarização, mas o golpismo da metade derrotada. Ninguém falou em ilegitimidade das urnas eletrônicas, ninguém brincou de soldadinho na frente de quartel, ninguém fez quebradeira no Palácio do Planalto.

Na Itália do pós-guerra, comunistas e católicos viveram às turras durante cinco décadas. A tão temida polarização é algo absolutamente normal e rotineiro nas democracias. A França não era diferente, e bem antes disso o caso Dreyfus, opondo antissemitas monarquistas a republicanos anticlericais, teve o mesmo poder de inviabilizar almoços de família e dissolver amizades que, por aqui, verificou-se com a ascensão de Bolsonaro.

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