Aposta em corte maior de juros esfria com petróleo caro e IPCA de fevereiro

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As apostas do mercado em um corte maior da taxa básica de juros, a Selic, pelo Banco Central na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) perderam força. Dois fatores explicam a mudança de percepção entre os agentes financeiros: a disparada do petróleo após os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã e a persistência da inflação de serviços no Brasil, mostrada no último IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), de fevereiro.

Banco Central decide sobre juros nesta semana. A diretoria do BC se reúne na terça e na quarta-feira para a reunião do Copom, colegiado que, a cada 45 dias, analisa o cenário econômico e define a taxa básica de juros do país, que serve de referência para a economia até o encontro seguinte.

Perdem força apostas em um corte maior da Selic. No fim de fevereiro, 83% dos agentes de mercado projetavam que a taxa básica de juros, hoje em 15% ao ano, seria reduzida pelo Banco Central em 0,50 ponto percentual, para 14,50% ao ano. Agora, esse grupo representa 39%. Os percentuais são baseados nos contratos de Opções de Copom negociados na B3.

Diante da alta do petróleo para patamares próximos de US$ 100 por barril e da perspectiva de continuidade do conflito, o Comitê pode adotar uma postura mais cautelosa, com um corte de 0,25 ponto percentual, refletindo o aumento recente das incertezas no ambiente internacional. Entretanto, avaliamos que ainda existe espaço para um corte de 0,50 ponto, considerando o nível ainda bastante restritivo da taxa de juros, que criou uma margem de segurança relevante para a condução da flexibilização monetária com credibilidade. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research

Maior parte do mercado agora espera redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Para 51% dos agentes que negociam contratos que representam apostas sobre a taxa básica, o Banco Central deve reduzir os juros para 14,75% ao ano. Um mês atrás, essa projeção correspondia a 23% dos negócios.

A guerra no Oriente Médio, os preços elevados do petróleo e um pano de fundo pior para bens industriais, mesmo antes da guerra, introduzem riscos altistas para nossa projeção de IPCA de 3,8% para 2026. Por isso, reavaliamos nosso cenário dessa projeção. Alexandre Maluf, economista da XP

Ainda há quem espere manutenção dos juros. Uma parcela de 10% dos agentes de mercado vê o Banco Central mantendo a Selic em 15% ao ano.

Mais importante do que a magnitude do corte em si deve ser o tom do comunicado que acompanhará a decisão. Se vier 0,50 ponto de corte, a tendência é de uma mensagem dura, deixando claro que isso não significa um ciclo rápido de queda de juros. Se vier 0,25 ponto, a leitura será de cautela ainda maior diante dos riscos inflacionários de curto prazo. Eduardo Amorim, analista em investimentos da Manchester Investimentos

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