A filiação do deputado federal Vitor Lippi e da deputada estadual Maria Lúcia Amary ao PSD, na sexta-feira (8), marcou o fim de uma era para o PSDB em Sorocaba (SP). Pela primeira vez desde 1992, o partido, que já dominou a política local, não terá nenhum representante eleito pela cidade. A mudança simboliza o esvaziamento da sigla, que busca se reerguer após perder suas principais lideranças.
Foi em 1992 que os primeiros dois vereadores foram eleitos pela sigla na cidade. O partido, que teve a hegemonia consolidada com a vitória de Renato Amary, em 1996, é hoje apenas a sombra do que foi na cidade, em especial nos anos 2000, quando tinha o comando da cidade no Executivo e ainda cadeiras no Legislativo local, estadual e federal.
A BUSCA PELA TERCEIRA VIA
O evento de filiação ao PSD contou com a presença de lideranças nacionais, como o presidente do partido, Gilberto Kassab, e os governadores Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Junior (PR). O discurso principal foi o da construção de uma “terceira via”, alternativa à polarização entre lulismo e bolsonarismo.
A deputada Maria Lúcia endossou a questão da terceira via e disse que saiu do PSDB sem olhar para trás, mas sem esquecer a importância que a legenda teve na sua trajetória.
Vitor Lippi evitou críticas e focou no novo momento: “Acho que foi um aprendizado muito bom. Aprendi muito, fizemos muito, aprendi muito com grandes pessoas do PSDB. Agora o PSD está em um ótimo momento, é um partido que está crescendo, ele conseguiu aglutinar grandes lideranças do país e eu entendo que hoje é um partido em que tenho condição de continuar o trabalho que eu sempre fiz”.
DA HEGEMONIA AO OSTRACISMO
O PSDB já foi a força política dominante em Sorocaba. O partido elegeu o prefeito por cinco vezes consecutivas a partir de 1996. Em 2009, por exemplo, tinha o prefeito, o vice e a maior bancada da Câmara, com um terço dos vereadores.
Ainda do partido, Antonio Carlos Pannunzio era deputado federal. Na Alesp, o nome era Maria Lúcia Amary. A hegemonia terminava no estado, com José Serra governador.
Às sombras do que já foi, o PSDB sequer tem um diretório constituído na cidade atualmente. De acordo com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a lista, desatualizada, ainda conta com Vitor Lippi e Maria Lúcia Amary como presidente e vice-presidente, respectivamente.
ANÁLISE: POR QUE O PARTIDO ENCOLHEU?
O declínio de um reduto histórico com o esvaziamento do PSDB em Sorocaba reflete um fenômeno nacional de perda de identidade e avanço da polarização política. É o que pensa a socióloga e especialista em marketing político Érica Regina, pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Segundo ela, o partido ficou “espremido” pela polarização, não conseguindo sustentar seu posicionamento de “centro” diante de um eleitorado que passou a exigir definições mais claras entre esquerda e direita.



