Descontos ilegais feitos pela Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional
(Aapen), sediada em Fortaleza (CE), levaram a Polícia Federal a deflagrar nesta
terça (17) a operação contra a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE),
que passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica.
No ano passado, o DE revelou que a Aapen vinha sendo processada por sua própria
presidente, Francisca da Silva de Souza, que afirmou à Justiça que foi enganada
e colocada no comando da entidade sem o seu conhecimento.
Presidente ‘laranja’
Em agosto do ano passado, Francisca da Silva de Souza procurou a Defensoria
Pública do Ceará, que ajuizou uma ação na Justiça estadual apontando uma fraude
dentro da fraude do INSS: a idosa havia sido “indevidamente inserida como
dirigente de uma entidade da qual jamais participou ativamente, não exercendo
qualquer função de gestão ou controle”.
Como responsável legal da Aapen, a idosa começou a receber centenas de cartas de
cobrança de pessoas lesadas pela entidade. Havia mais de 200 processos contra
ela na Justiça.
Outros alvos da PF
Além de instalar tornozeleira eletrônica na deputada Gorete Pereira, a PF
prendeu preventivamente nesta terça a advogada Cecília Rodrigues da Mota. Ela
foi presidente da Aapen antes de Francisca “assumir” o cargo no papel. Outro
alvo da operação foi o empresário Natjo de Lima Pinheiro.
Entidade fechada
Em agosto do ano passado, o DE esteve na antiga sede da Aapen, em Fortaleza. O
local foi fechado em 28 de abril — três dias após a deflagração da Operação Sem
Desconto, segundo um porteiro do prédio. Funcionários foram dispensados.



