A dor de perder a filha única em um caso de feminicídio atravessa todos os dias da vida de Mariza dos Santos, mãe de Larissa dos Santos Silva. Desde a morte da filha, a casa e a rotina de Mariza mudaram completamente — e o luto foi preenchido pela responsabilidade de criar os quatro netos.
“Sou a mãe deles, a avó, pai, o vô, tudo sou eu. É uma correria… Leva um, busca o outro, põe no carro, tira do carro. Mas isso ajuda a continuar. Se eu não tivesse eles, eu não continuaria”, desabafou.
Larissa dos Santos Silva: Uma vida interrompida
Larissa dos Santos Silva nasceu em 12 de junho de 1996, no Dia dos Namorados, como lembra a mãe, Mariza. “Foi uma menina muito doce, muito boa… A melhor filha do mundo”, contou.
Larissa e Bruno William da Silva se conheceram ainda adolescentes, quando ela tinha 13 anos e ele, 15. Os dois tiveram quatro filhos ao longo dos 16 anos de relacionamento.
Segundo Mariza, as violências e agressões no relacionamento eram frequentes.
“Sempre teve muitas violências. Busquei ela várias vezes no [Hospital] Ouro Verde, machucada dele. Ele prometia que ia mudar, e ela acreditava”, diz a mãe.
A tragédia que mudou vidas
Larissa foi morta em setembro do ano passado, com tiros disparados pelo marido quando chegava em casa após o trabalho, em Campinas (SP).
Na madrugada do crime, segundo a mãe, Bruno estaria com ciúmes porque Larissa trabalhava como atendente durante a madrugada. Quando ela abriu o portão de casa, levou um tiro no peito. Tentou fugir, mas foi atingida novamente nas costas. Os quatro filhos do casal estavam dentro da residência.
O marido se entregou à polícia uma semana depois e está preso há cinco meses. O Tribunal de Justiça informou que o caso corre em segredo de Justiça.
A dor que persiste: Mães que lutam pela justiça
Sueli Oliveira Silva é mãe de Camila Oliveira Silva, outra jovem assassinada em Campinas no ano passado. Camila foi atropelada três vezes pelo ex-companheiro, no Jardim Novo Maracanã, um dia depois de ele furar os pneus do carro dela no trabalho.
A mãe contou que reza pedindo forças todos os dias, e faz um alerta para quem esteja vivendo um ciclo de violência: “Sai fora, porque eles não pensam duas vezes”.
Em outubro do ano passado, Camila Oliveira Silva, de 33 anos, morreu depois de ser atropelada três vezes pelo ex-companheiro, Edenísio Júlio Teixeira, também em Campinas.
Camila e Edenísio se conheceram quando ela tinha 14 anos. Ficaram juntos por quase 20 anos e tiveram três filhos. O relacionamento era marcado pelo controle e pelas brigas, segundo a mãe: “Ele fazia dela o que ele queria. Ela ia trabalhar, ele ia buscar. Tudo ele estava atrás”.
Dois meses após a separação, Camila começou um novo namoro e a perseguição aumentou. No dia 17 de outubro, câmeras registraram Edenísio chegando ao trabalho da ex e furando quatro pneus do carro dela.
A irmã de Camila enviou a ela uma mensagem de alerta, pedindo para que tivesse cuidado para não encontrá-lo. Camila chegou a responder que “não ia acontecer nada”. No dia seguinte, Edenísio matou Camila na rua onde ela morava, no Jardim Novo Maracanã.
Edenísio está preso há quatro meses, e o processo também corre sob segredo de Justiça. A mãe tenta transformar o luto em alerta.



