O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem trabalhando para tentar convencer o ministro Dias Toffoli a se licenciar do Supremo Tribunal Federal (STF) sob o pretexto de evitar o surgimento de novas denúncias contra ele.
De acordo com interlocutores do presidente ouvidos pela reportagem, Lula tem pedido a pessoas próximas de Toffoli que o convençam a se afastar alegando motivos de saúde e, no médio prazo, a deixar o Tribunal em definitivo.
O presidente tem dito a pessoas próximas ter sido informado de que o que já se tornou público até agora a respeito da relação de Toffoli com o grupo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seria apenas um aperitivo do que ainda pode vir à tona.
Apesar do esforço de Lula, porém, Toffoli tem dito a quem o questiona a respeito que não tem nenhuma intenção de se afastar e que não há risco de surgirem mais informações comprometedoras que não estejam no material já apresentado pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, ao presidente do STF Edson Fachin, em fevereiro.
Indicado ao cargo por Lula em seu segundo mandato, Toffoli pode, em tese, atuar no Supremo até 2042, quando completa 75 anos e será obrigado a se aposentar.
Ao justificar sua intenção de fazer Toffoli se afastar, Lula tem dito que a PF já sabe de vários outros episódios que podem complicar a vida do ministro e, por tabela, arrastar o STF de volta para o epicentro da crise.
A aliados, nos últimos dias, Lula tem dito que não pode deixar Moraes descoberto, por duas razões principais.
Na semana passada, várias pesquisas de opinião mediram o estrago provocado pelas revelações sobre o envolvimento de Moraes e Toffoli com o dono do Master.
É um cenário que ajuda Flávio Bolsonaro (PL) e pode machucar ainda mais a campanha de Lula à reeleição, daí porque o presidente tenta aliviar a crise tirando um dos focos de problemas, Dias Toffoli, do caminho.



