O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu a abertura de uma apuração, na Corte de Contas, sobre um empréstimo contratado pela cunhada do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o Banco Master.
A representação, assinada pelo procurador Lucas Furtado na última terça-feira (17/3), defende que o TCU investigue se o financiamento envolveu — direta ou indiretamente — subsídios públicos em linhas de crédito.
O MPTCU também pede que a Corte analise a conduta do Banco Central na supervisão do Banco Master. O caso será relatado pelo ministro Jhonatan de Jesus, indicado pela Câmara e com histórico de amizade com Motta.
Cunhada de Motta, Bianca Araújo Medeiros contratou um empréstimo com o Banco Master para a compra de um terreno em João Pessoa (PB).
Documentos obtidos pelo Metrópoles na Junta Comercial de São Paulo, onde a empresa estava registrada anteriormente, confirmam que, em março de 2024, 100% das cotas da ETC estavam “alienadas fiduciariamente ao Banco Master”.
Em nota enviada à reportagem, Bianca Medeiros afirmou que o contrato foi celebrado “em condições usuais de mercado”. Segundo ela, a escolha do Banco Master “decorreu exclusivamente de condições negociais e operacionais apresentadas à época da contratação”.
Para o procurador Lucas Furtado, há dúvidas acerca da “utilização de recursos de origem pública” na contratação do empréstimo.
Como mostrou o Metrópoles, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, relatou, em diálogos obtidos pela CPMI do INSS, ter mantido conversas e participado de encontros com ‘Hugo’, o que parlamentares consideram ser uma menção a Hugo Motta.
Em nota, o presidente da Câmara afirmou que o empréstimo se trata de um “negócio entre partes privadas, sobre a qual o presidente da Câmara não tem nenhuma participação”.


