Ary Fontoura e Fernanda Montenegro em novo filme: Velhos Bandidos

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Duas semanas após o fim da novela Êta Mundo Melhor, da TV Globo, Ary Fontoura já
se prepara para voltar às telas — agora, nas dos cinemas.

Em Velhos Bandidos, que estreia na próxima quinta-feira (26/3), ele vive, ao
lado de Fernanda Montenegro, um casal que planeja assaltar um banco para reaver
um dinheiro que lhes era devido.

Mas mesmo no intervalo entre o folhetim e o longa-metragem o ator não se afastou
do público. No Instagram, ele publica vídeos diários — em sua maioria, esquetes
de humor de um minuto — que o levaram a conquistar sete milhões de seguidores.

Entrevista à BBC News Brasil

Em entrevista à BBC News Brasil por videoconferência, Fontoura reflete sobre sua
carreira de quase oito décadas, as transformações pelas quais a televisão vem
passando, o espaço dado a atores seniores como ele e a forma como se faz humor
hoje no país.

Ary Fontoura — O humor não tem limites. Quer dizer, são as circunstâncias da
vida que impõem esse limite à gente. Hoje as pessoas são temerosas do ridículo,
então precisa tomar cuidado quando o humor interfere na vida de cada um para não
ferir. Essa é a grande dificuldade de fazer paródias a respeito de alguém ou um
comentário jocoso a respeito de uma situação.

Fontoura — Acho mais difícil, porque tem meandros que você não pode atingir.
Sempre está monitorado, não tem a liberdade de criação que tinha antes, sempre
tem uma autocensura. Mas, por outro lado, o público é mais acessível.

Fontoura — É como andar sobre o fio da navalha. Se não tomar cuidado, escorrega.
As redes sociais buscam destruir as pessoas. Eu também fico na parte crítica da
vida, dos acontecimentos do cotidiano.

TV e novelas

Fontoura — Hoje a imagem da TV é muito melhor, mais rápida, mais ousada. A
leitura é cinematográfica. A gente faz uma cena oito, dez vezes, porque ela é
detalhada e, quando vai para a sala de montagem, existem inúmeras possibilidades
de montar o capítulo da melhor maneira.

Fontoura — No que concerne a mim, não vejo isso, não. Não tenho parado de
trabalhar e talvez eu esteja sendo mais procurado agora do que antes.

Fontoura — Se eu disser que não, não seria verdade. É claro que sim. O corpo
humano tem reações que você não gostaria que ele tivesse.

Sonhos e aposentadoria

Fontoura — Há inúmeros, e dá uma certa insegurança. Meu Deus, será que vai dar
tempo de fazer pelo menos um? Sempre existem coisas que você nunca fez ou porque
não havia possibilidade ou porque não havia dinheiro. Isso deixa você frustrado,
na expectativa de que um dia possa acontecer.

Fontoura — Olha, graças a Deus — e tenho que apelar para ele, porque é ele que
está me segurando por aqui —, tenho tido uma série de coisas boas. Eu tenho,
felizmente, uma saúde boa. Fisicamente estou bem.

Fontoura — O segredo está nessa conversa. Você vai ver que estou sempre
entusiasmado com o que faço. Procuro dignificar a minha profissão, fazer o
melhor dentro dela.