O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) associou nesta quinta-feira (19) os escândalos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Banco Master ao seu antecessor, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O petista afirmou que o seu terceiro governo foi o responsável por descobrir “toda a roubalheira da previdência social” e que as fraudes praticadas pela instituição financeira de Daniel Vorcaro “é o ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos [Neto], ex-presidente do Banco Central”.
“Quem descobriu toda a roubalheira da previdência social foi o nosso governo. Foi a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal. Eu era favorável para que o PT abrisse uma CPI [para investigar as fraudes contra aposentados e pensionistas], mas eles [membros da oposição] abriram [primeiro]”, disse o petista durante evento do lançamento da pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo de São Paulo.
“Agora, ao invés de a gente estar indo para cima deles, eles estão vindo para cima de nós. Então, é importante saber que quando na política a gente vacila, a gente paga um preço muito alto”, acrescentou.
O filho mais velho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha” é investigado pela Polícia Federal (PF) no âmbito das fraudes no INSS, algo que tem sido instrumentalizado com frequência por bolsonaristas nas redes sociais. A corporação apura uma citação de que Lulinha poderia ter atuado como “sócio oculto” de Antônio Camilo Antunes. Conhecido como “Careca do INSS”, Antunes é apontado como um dos principais envolvidos no esquema de descontos associativos irregulares.
Em janeiro, inclusive, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do filho do presidente. O magistrado é o relator das investigações na Corte. Lulinha teria conhecido Antunes em 2024 por intermédio da empresária Roberta Luchsinger, que também foi alvo da Operação Sem Desconto, que deflagrou o esquema de fraudes envolvendo descontos associativos.
Não deixar pedra sobre pedra
No evento em São Bernardo do Campo, Lula afirmou que “os seus opositores estão tentando empurrar nas portas do PT e do governo” a responsabilidade pelo escândalo do Banco Master. Segundo o presidente, a instituição financeira nasceu em 2019, no primeiro ano da gestão Bolsonaro. Ele relembrou que no começo daquele ano, Ilan Goldfajn, antecessor de Campos Neto, negou reconhecimento para que o Master pudesse operar no sistema financeiro do país. “Quem reconheceu [que a instituição de Vorcaro poderia operar] em setembro de 2019 foi o Roberto Campos. E todas as falcatruas foram feitas por ele”, afirmou.
“A bancada do PT tem que ter coragem de denunciar [Campos Neto e o governo Bolsonaro]. A gente não pode se calar”, completou.
“Esse Banco Master é obra, é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos [Neto], ex-presidente do Banco Central. E nós não deixaremos pedra sobre pedra. Para a gente apurar tudo o que se deve nesse rombo de 50 bilhões do país. Se a gente não cuidar, eles vão tentar dizer que somos nós [os culpados]”, declarou.


