Lead expandido: Uma pesquisa conduzida por pesquisadores brasileiros apontou a relação entre a baixa disponibilidade de alimento e o baixo número de onças-pintadas existentes na Mata Atlântica – e os pesquisadores alertam que a onça pode desaparecer do bioma se a redução das espécies que servem de alimento continuar avançando. O levantamento revela um cenário de baixa abundância e baixa biomassa, ou seja, quantidade e peso reduzidos das presas que a onça prefere. Em várias áreas estudadas, a média ficou abaixo de cinco indivíduos por espécie, por ponto monitorado. Isso significa que, em cada área analisada, havia números baixos de animais para sustentar um predador grande ao longo do tempo.
Contexto aprofundado: O estudo, coordenado pela professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) de Piracicaba (SP), Kátia Maria Paschoaletto Micchi de Barros Ferraz, foi publicado na revista Global Ecology and Conservation. Para a pesquisadora, o desaparecimento lento e contínuo dos animais que compõem a base alimentar do felino configura uma “extinção silenciosa das presas”. A possibilidade de extinção da onça-pintada na Mata Atlântica já havia sido apontada em 2013, quando pesquisadores identificaram o declínio da população da espécie no bioma.
Reações iniciais: “Se nada for feito, nós seremos o primeiro bioma do mundo a ter um predador de topo de cadeia, que no caso é a onça-pintada, extinto. Perdê-la seria uma tragédia ambiental de proporções sem tamanho”, afirmou Kátia Maria Paschoaletto Micchi de Barros Ferraz.
Detalhamento do cenário
O levantamento observou que, em quase todas as áreas analisadas, existem poucos animais das 14 espécies de mamíferos que compõem a base alimentar da onça-pintada. Em várias regiões, a média ficou abaixo de cinco animais por espécie. Em várias regiões estudadas, a biomassa somada de todas as espécies ficou abaixo de 100 kg, indicando a falta de alimento suficiente para sustentar populações de onça-pintada a longo prazo. O Parque Nacional do Iguaçu foi a única área com números elevados, onde também se concentra a maior população de onças da Mata Atlântica.
Desdobramentos e conexões: Já as áreas com menos animais disponíveis são justamente as que não registram onças ou que têm apenas poucos indivíduos. Isso confirma a ligação direta entre a falta de alimento e o desaparecimento do predador no bioma. A pesquisa também observou que locais de mais fácil acesso apresentaram menos mamíferos de médio e grande porte, enquanto áreas mais isoladas concentraram mais população de presas e maior biomassa total, indicando o impacto da pressão humana para esses animais.
Impactos imediatos: A pesquisadora ressaltou que o desaparecimento de um predador de topo da cadeia alimentar causaria impactos em todo o ecossistema por meio de um efeito cascata. Com menos onças, aumentariam as populações de suas presas, o que poderia alterar a composição e a estrutura da vegetação. Outras espécies poderiam ocupar essa posição, mas a função ecológica da onça-pintada não seria restabelecida, resultando em efeitos inesperados e potencialmente prejudiciais para o equilíbrio ambiental.



