A oito meses das urnas, a corrida pelo Palácio das Esmeraldas começa a desenhar um cenário que há muito não se via em Goiás: a possibilidade real de uma eleição decidida já no primeiro turno. Dois fatores contribuem para essa tendência — e eles têm nome e sobrenome.
De um lado, Wilder Morais (PL) e Marconi Perillo (PSDB) acumulam passivos políticos que vêm pesando contra suas candidaturas. Do outro, Daniel Vilela (MDB) surfou na onda da unidade da base governista, herdando a estrutura de Ronaldo Caiado, que deixa o cargo como o governador mais bem avaliado do Brasil — um trunfo que naturalmente favorece seu sucessor.
Wilder: escândalos e falta de capilaridade
O senador do PL tenta construir uma candidatura de oposição, mas carrega um baque atrás do outro. Além de ser alvo de investigações que envolvem seu nome e o do irmão, Wilder viu sua pré-campanha ser marcada por:
-
Ruídos com a cúpula nacional do PL: Flávio Bolsonaro chegou a dizer que Wilder “atropelou” as tratativas ao visitar Jair Bolsonaro na Papuda antes do tempo.
-
Escolha controversa de vice: A filiação de Ana Paula Rezende foi vista como tentativa de agregar votos, mas analistas já apontam que o “legado Iris” não se transfere automaticamente.
-
Falta de prefeitos: Enquanto Daniel reúne 200 deles no lançamento em Jaraguá, Wilder luta para emplacar um nome sequer em cidades estratégicas.
Marconi: rejeição alta e sombra do passado
O ex-governador tenta o retorno, mas enfrenta um cenário adverso que nem sua experiência consegue contornar:
-
A maior rejeição entre os pré-candidatos: Pesquisas já apontam Marconi com o índice mais alto de rejeição, um problema estrutural que o acompanha desde os últimos mandatos.
-
Escândalos que voltam à tona: A prisão do empresário “Careca do INSS”, que foi diretor da Iquego em sua gestão, reacendeu discussões sobre problemas de governança em seus governos. Prisão pela Polícia Federal.
-
Isolamento político: O tucano não conseguiu agregar grandes partidos nem prefeitos expressivos. Ficou isolado enquanto a base governista se uniu em torno de Daniel.
O fator Caiado: aprovação recorde que impulsiona o sucessor
Um dos maiores trunfos de Daniel Vilela não está em sua própria campanha, mas no legado de quem sai. Ronaldo Caiado termina o mandato como o governador mais bem avaliado do Brasil, com índices de aprovação que poucos gestores alcançam. Em Goiás, a percepção é clara: se o governo é bem avaliado, é natural que o eleitor queira a continuidade.
Historicamente, sucessores de governadores populares costumam herdar esse capital político. Daniel entra na disputa já com esse crédito prévio, enquanto os adversários precisam convencer o eleitorado de que vale a pena trocar um modelo aprovado por um passado de escândalos ou uma candidatura sem capilaridade.
O resultado: Daniel pode liquidar no primeiro turno
Enquanto os adversários se desgastam com crises internas, falta de apoio e investigações que voltam à tona, Daniel Vilela tem jogado com a estabilidade e a força da máquina estadual. A união do MDB com o PSD de Caiado, somada ao apoio de dezenas de prefeitos e à alta aprovação do governador, coloca o vice-governador em posição confortável.
Se Wilder e Marconi não conseguirem reverter rapidamente seus quadros de desgaste e isolamento, o cenário que se desenha é de uma eleição resolvida ainda no primeiro turno — algo que não acontece desde a reeleição de Marconi em 2014. Para Daniel, a conta é simples: o passado dos adversários e a popularidade de Caiado trabalham a seu favor.



