Estudo revela baixa frequência de variantes graves do carcinoma espinocelular no Brasil

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Uma pesquisa internacional que contou com a participação de pesquisadores da USP de Ribeirão Preto revelou que as variantes mais raras e graves do carcinoma espinocelular, um dos tipos mais agressivos de câncer de cabeça e pescoço, são menos frequentes do que se acreditava.

O estudo, publicado na revista científica Annals of Diagnostic Pathology, analisou dados de mais de 1,4 mil pacientes e mostrou que essas variações aparecem em menos de 5% dos casos, corrigindo uma estimativa de 15% que era utilizada pela medicina há décadas.

Além de mapear a frequência dessas variantes, o estudo mostrou que a relação desse câncer com o vírus HPV no Brasil é de apenas 25%, um índice muito inferior aos 70% registrados na Europa e nos Estados Unidos.

O OLHAR NO MICROSCÓPIO E A DIFERENÇA DAS CÉLULAS

O carcinoma espinocelular é o principal tipo de tumor a atingir a região da boca e da garganta, apresentando baixas taxas de cura quando o diagnóstico ocorre em estágios avançados.

Um dos maiores desafios para o tratamento eficaz reside na identificação visual das células cancerígenas sob o microscópio, já que as características físicas do tumor determinam a agressividade da doença.

Os pesquisadores explicam que o tipo mais comum, classificado como convencional, apresenta células rosadas e arredondadas.

REALIDADE BRASILEIRA: O FATOR HPV

A pesquisa também apontou uma diferença epidemiológica entre o Brasil e o Hemisfério Norte. Enquanto na Europa e nos Estados Unidos o vírus HPV está presente em cerca de 70% dos casos de câncer de garganta, no Brasil essa associação é menor, girando em torno de 25%.

Essa distinção é importante para as chances de recuperação porque os tumores causados pelo HPV costumam ser mais “sensíveis” ao tratamento, respondendo melhor à radioterapia e quimioterapia.

CIRURGIAS E TRATAMENTOS SOB MEDIDA

Para os médicos que atuam diretamente no atendimento, as descobertas permitem “personalizar” a luta contra a doença.

Segundo a médica, saber exatamente com qual variante se está lidando define, por exemplo, o tamanho da margem de segurança em uma cirurgia.

O aposentado Benedito Ferreira sentiu um caroço no céu da boca em 2024 e agiu rápido. Operou no ano passado e, embora lide com sequelas na fala, mantém a rotina de exames a cada três meses com otimismo.

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