Muralha construída com pedras vulcânicas e óleo de baleia no meio do Cerrado
Na região oeste de Goiás, um mistério intriga historiadores goianos. Trata-se de uma muralha de pedra de 15 km de extensão na cidade de Paraúna. Os pontos curiosos não param somente na construção de origem desconhecida, mas também na composição de basalto negro, rochas vulcânicas e fixadas com óleo de baleia.
De acordo com a Prefeitura de Paraúna, a origem exata da formação é desconhecida, com parte dos pesquisadores acreditando se tratar de uma região que possa ter tido origem oceânica, enquanto outra parte acredita que o muro foi construído por mãos humanas, sendo uma divisão entre os povos Incas e Maias.
A formação fica no Parque Estadual de Paraúna (Pepa), que é formado pela Serra das Galés e pela Serra da Portaria.
FORMAÇÃO GEOLÓGICA
Ao DE, o geólogo Silas Gonçalves explicou que o mistério da muralha talvez seja ainda mais antigo que qualquer civilização, com idade entre 135 e 130 milhões de anos.
Ele acredita que a formação nasceu de um dos maiores eventos vulcânicos continentais conhecidos, associado à fragmentação do supercontinente Gondwana e abertura à do Oceano Atlântico Sul.
“Esse evento originou a Província Magmática Paraná, responsável pela emissão de grandes volumes de lava basáltica que recobriram extensas áreas do sul e centro do Brasil”, explicou.
O geólogo destacou que a formação observada na muralha de pedra não se encaixa com construções artificiais, e sim naturais causadas pela combinação de:
Derrames basálticos cretáceos: grandes volumes de lava que se espalharam pela superfície há milhões de anos e depois endureceram, formando o basalto;
Fraturamento térmico do basalto durante o resfriamento: quando essa lava esfriou, ela encolheu e acabou rachando naturalmente;
Fraturas poliédricas no basalto: essas rachaduras formaram blocos com vários lados, meio “geométricos”, em vez de pedras irregulares;
Controle estrutural de lineamento geológico NE, NW: as direções dessas fraturas seguem padrões do próprio terreno, alinhadas em certos sentidos (tipo nordeste e noroeste);
Erosão diferencial entre basaltos e rochas sedimentares encaixantes: com o tempo, as partes mais frágeis ao redor foram se desgastando mais rápido, deixando o basalto mais resistente em destaque.
Sobre o óleo de baleia, o coordenador da unidade de conservação, Danilo Lessa, pontuou que a afirmação partiu de um dos livros sobre o local, mas que atualmente pesquisadores acreditam que a substância é na verdade dique de diabásio — rocha derretida (magma) que escorreu pelas rachaduras, resfriando dentro das fendas da muralha.
FORMAÇÕES ROCHOSAS DE MILHÕES DE ANOS EM PARAÚNA, GOIÁS
Outra curiosidade é que foi na Serra da Portaria, dentro do Parque Estadual de Paraúna, que pesquisadores descobriram, em 2021, que dinossauros viveram na região. A confirmação veio a partir da descoberta de um dente de um dinossauro do tipo terópode – espécies bípedes carnívoras ou onívoras.
As cachoeiras também são outro destaque do local. Entre elas, está a Cachoeira do Desengano, que é considerada uma das mais bonitas pelos visitantes. Ela fica ao lado da estrada e pode ser visitada sem o acompanhamento de guia.
CONCLUSÃO DO MISTÉRIO
Esses processos são comuns em áreas vulcânicas e podem produzir alinhamentos rochosos que lembram estruturas construídas”, destacou.
De acordo com Lessa, o parque é aberto ao público e não exige a contratação de guias, mas a presença dos profissionais é recomendável por segurança. Sobre os horários, ele pontuou que a recomendação é que as visitas aconteçam entre as 7h e 17h.




