Vai acabar a vida boa do senador Flávio Bolsonaro (PL), o candidato do pai dele a presidente. Porque até aqui foi muito boa, sem concorrentes à direita, e à esquerda somente Lula com quem se bater.
Por isso ele cresceu sem obstáculos, herdando os votos do pai enfermo e somando-os aos dos antipetistas. Se parte, somente uma parte da direita dita civilizada ainda resiste aos seus encantos, ela o apoiaria se não lhe restasse outra opção.
Ao sentir-se rejeitado por ele, anunciou apoio a Sérgio Moro, candidato à sucessão de Ratinho.
Flávio tentou atrair Zema e Ratinho para seu lado, mas sem sucesso. No caso de Ratinho, ofereceu-lhe mundos e fundos, da vice-presidência a ministro poderoso no seu eventual governo. Ou as duas coisas juntas.
A fantasia de candidato moderado vestida por Flávio começará em breve a ser posta em xeque – à direita por Zema, que poderá lhe tomar uma parcela dos votos mais radicais, à esquerda por Lula e os seus aliados.
Não se conhece uma palavra que Flávio tenha dito contra o golpe. Ele se refere ao golpe como um suposto golpe.
Os pontos fracos de Lula são explorados diariamente pela imprensa que quer vê-lo pelas costas desde a primeira eleição, a de 1989, depois do fim da ditadura.
Os pontos fracos de Flávio pedem para ser explorados com a mesma intensidade. Flávio é uma cópia encardida do pai a quem nunca disse não, como seus irmãos nunca disseram.



