A decisão do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), de abandonar a corrida presidencial redesenha o cenário eleitoral de 2026 e muda o equilíbrio da chamada ‘terceira via’. Se antes o PSD trabalhava com três nomes competitivos, agora terá de escolher entre dois projetos distintos: um mais à direita, representado pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e outro mais a centro-esquerda, capitaneado pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
A dúvida é se há espaço para mais uma candidatura de direita, além de Flávio Bolsonaro, ou para uma candidatura de centro dentro da disputa, como a de Eduardo Leite, questiona o cientista político Leandro Cosentino, professor do Insper.
Ratinho Junior recua para preservar legado e evitar isolamento político no Paraná. A desistência foi para manter o legado dentro do Paraná e compor as forças políticas diante de um cenário em que o apoio da família Bolsonaro ao seu projeto se mostrava frágil no estado.
Com a saída de Ratinho Junior da disputa presidencial, Ronaldo Caiado emerge como o principal beneficiado dentro do PSD. O jogo muda porque Caiado passa a ser o nome mais claro do partido, avalia o cientista político Samuel Oliveira. Ainda assim, o fortalecimento seria mais institucional do que eleitoral.
Eduardo Leite segue como alternativa para uma candidatura de centro. Mesmo assim, o gaúcho enfrenta dificuldades para viabilizar a pré-candidatura até o momento. Na pesquisa Quaest de março, Eduardo Leite apareceu com 3% das intenções de voto em dois cenários testados.
Apesar da saída de Ratinho Junior, o PSD afirmou que terá candidato próprio para presidente. Na nota, Gilberto Kassab reafirmou a apresentação de uma ‘melhor via’ como alternativa à polarização. A estratégia pode ser mais pragmática, atuando como instrumento de valorização do partido e ampliando o poder de barganha para o segundo turno.
No horizonte eleitoral, a candidatura do PSD pode funcionar mais como peça intermediária do que como protagonista em um cenário polarizado, entre Lula e Flávio Bolsonaro. A questão central será medir quanto desse eleitorado de centro e centro-direita o partido conseguirá capturar no primeiro turno.
Com as mudanças provocadas pela desistência de Ratinho Junior da disputa presidencial, o PSD se vê diante de novos desafios e possibilidades, podendo reposicionar suas estratégias e criar alianças inesperadas para as eleições de 2026.




