Um gigantesco ponto de interrogação entre as convicções de Carlo Ancelotti. É desta maneira que podemos definir os problemas que a seleção brasileira tem enfrentado com lesões no setor defensivo às vésperas da Copa do Mundo. Com dez das 12 vagas praticamente definidas na mente do treinador italiano, cortes recentes e recorrências com problemas físicos deixam mais abertas do que nunca as vagas até a lista final, dia 18 de maio.
Seja entre goleiros, zagueiros ou laterais, Carleto se acostumou a trocar peças a força desde que assumiu o Brasil na Data Fifa de junho do ano passado. Dos 13 cortes realizados pelo treinador, dez foram no setor, inclusive os três para os duelos contra França e Croácia nos EUA. Rotina que acirra a concorrência, mas, por outro lado, gera um clima de instabilidade no planejamento da comissão técnica.
Seleção teve 50 cortes por lesão desde 2023
O temor aumenta quando o recorte é de todo o ciclo para a Copa de 2026. Dos 50 jogadores cortados após convocação nesses pouco mais de três anos, 34 foram do setor defensivo, que conta ainda com os recordistas Ederson (5), Alisson, Gabriel Magalhães e Vanderson (3).
O lateral-direito, por sinal, já está fora do Mundial justamente por uma nova lesão muscular na coxa e engrossa a relação também dos que sequer puderam ser convocados por estarem no departamento médico no período da elaboração da lista. São os casos, por exemplo, de Caio Henrique e Eder Militão entre os defensores agora em março.
— A opção dessa lista dependeu muito de lesões. É uma lista criada com jogadores que estão em boas condições físicas. Tivemos lesões importantes, como as de Militão, Bruno Guimarães, Estêvão, Rodrygo… – disse Ancelotti ao anunciar os 26 para os duelos com franceses e croatas.
A Data Fifa atual seria para experimentos de olho nas duas vagas restantes entre os zagueiros. Ibañez, Léo Pereira e Bremer chegam para serem observados em um setor onde Wesley, Alex Sandro, Douglas Santos, Gabriel Magalhães, Marquinhos, Danilo e Éder Militão contam com indicativos de serem os escolhidos de Ancelotti. Os problemas médicos, no entanto, ampliam este radar.
Ancelotti tem mais baixas na Seleção por lesões
Kaiki Bruno do Cruzeiro acabou se tornando outra novidade diante do corte do lateral-esquerdo do Flamengo, que já tinha vivido o mesmo problema em setembro de 2025 e vira e mexe passa por controles de carga no clube. Elementos que fazem com que jovens como o cruzeirense e Luciano Juba, que estava na pré-lista e já foi observado, possam sonhar.
Cortes com Ancelotti: Vanderson (2), Alex Sandro (2), Gabriel Magalhães (2), Alisson, Hugo Souza, Ederson, Wesley, Matheus Cunha, Joelinton e Kaio Jorge
O mesmo vale para o gol. Esta parecia ser a primeira convocação em que Ancelotti teria à disposição todos os quatro goleiros que vinha observando, e a sinalização foi de que Alisson, Ederson e Bento são os preferidos para o Mundial. O titular do Liverpool, por sua vez, voltou a se lesionar, foi cortado, e Hugo Souza novamente foi chamado.
Alisson e Ederson preocupam especialmente a comissão técnica
Alisson e Ederson preocupam especialmente a comissão técnica. O goleiro do Fenerbahçe precisou ser cortado cinco vezes no ciclo, além de outras convocações em que sequer esteve à disposição. Já o do Liverpool soma três cortes no mesmo período.
Indicações que ligam o sinal de alerta para uma Seleção que terá pela frente os dois maiores desafios desde a chegada de Carleto: a França, quinta-feira, às 17h (de Brasília), em Boston, e a Croácia, dia 31, às 17h (de Brasília), em Orlando.




