A ata da reunião do Copom da semana passada, divulgada nesta terça-feira (24), não agradou aos analistas mais ‘falcões’ do mercado financeiro. No encontro da última quarta-feira, o colegiado decidiu iniciar um novo ciclo de cortes na taxa básica de juros (taxa Selic), com uma redução de 0,25 ponto percentual, trazendo os juros básicos de 15% ao ano para 14,75%.
No documento em que detalha as razões de sua decisão, o Copom, sem dizer com todas as letras, indicou que pretende continuar reduzindo a taxa Selic. O ritmo desses cortes, de acordo com o que se pode interpretar da leitura da ata, tende a ser de 0,5 ponto percentual nas próximas reuniões.
Copom ‘dovish’. Nada disso está escrito explicitamente na ata. Uma leitura mais literal do texto permite supor que o Copom não deu indicação sobre seus passos futuros, envolto em incertezas aumentadas pela guerra no Oriente Médio e pelas pressões inflacionárias previsíveis com a alta nos preços do petróleo.
Entre ressalvas e menções a cenários de possíveis recrudescimentos de pressões inflacionárias, porém, o Copom reafirma encontrar espaço para manter a indicação oferecida na comunicação da decisão sobre juros básicos em janeiro — a de que, mesmo mantendo a Selic em terreno restritivo, existiam condições para iniciar em março um ciclo de cortes nos juros básicos.
“Riscos inflacionários associados a commodities e geopolítica parecem subestimados. Em cenário tão incerto, seria mais prudente adiar o início do ciclo ou, caso a decisão fosse cortar, fazê-lo preservando explicitamente a possibilidade de interrupção do ciclo e de mudança no balanço de riscos.” – Solange Srur, diretora UBS WM Brasil.
Pelo descrito na ata, o Copom parece satisfeito com os resultados da política de juros. Nem mesmo o possível repique da atividade no primeiro trimestre deste ano, em relação à freada registrada no último trimestre de 2025, teria o condão de alterar a decisão de iniciar e sustentar um novo ciclo de cortes dos juros.
Experientes intérpretes da comunicação do Copom avaliaram que, na reunião de março, o que esteve em discussão no colegiado não foi o início dos cortes nos juros básicos, mas sua “calibragem” — se a redução deveria ser de 0,25 ponto percentual ou 0,5 ponto.
No Boletim Focus desta semana, a taxa Selic projetada para o fim de 2026 aumentou de 12,25% na semana anterior para 12,5%. Mas analistas de grandes bancos e das maiores consultorias ainda apostam que, no encerramento do ano, a taxa básica de juros estará em 12% ou 12,25%.




