Irã permite tráfego parcial no Estreito de Ormuz em meio a conflitos regionais

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O Irã sinalizou uma abertura parcial ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz ao comunicar aos países membros da Organização Marítima Internacional que embarcações consideradas “não hostis” poderão transitar pela via estratégica desde que estabeleçam coordenação prévia com as autoridades iranianas. A informação foi divulgada nesta terça-feira (24) pelo Financial Times, com base em uma carta encaminhada pelo governo iraniano ao organismo internacional.

O comunicado representa um movimento diplomático relevante em meio à escalada do conflito que envolve Irã, Israel e Estados Unidos. No mesmo dia, novos episódios de violência foram registrados: ataques a infraestruturas de gás no território iraniano e uma nova rodada de disparos de mísseis contra Israel intensificaram as tensões na região, com desdobramentos que ultrapassaram as fronteiras dos países diretamente envolvidos.

Conflito se alastra pela região

Os reflexos do confronto chegaram a outros países do Oriente Médio. No Kuwait, fragmentos provenientes de sistemas de defesa aérea atingiram redes de transmissão elétrica, provocando interrupções no fornecimento de energia. No Bahrein, sirenes de alerta foram ativadas em diferentes pontos do território. Já a Arábia Saudita informou ter neutralizado 19 drones de origem iraniana que se aproximavam de seu espaço aéreo.

Bloqueio do Estreito paralisa escoamento de petróleo global

Entre todas as respostas iranianas ao conflito, o fechamento do Estreito de Ormuz foi a medida de maior impacto sobre a economia mundial. O canal, situado entre o litoral iraniano e o território de Omã, conecta o Golfo Pérsico ao Mar Arábico e é responsável pelo escoamento de cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no planeta.

Com a passagem bloqueada, grandes produtores da Opep — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait entre eles — viram suas exportações represadas, perdendo acesso às rotas que abastecem mercados na Ásia, na Europa e nas Américas.

Em condições normais, o estreito registra aproximadamente 120 travessias diárias, conforme dados do portal de inteligência naval Lloyd’s List. O cenário atual é radicalmente distinto: entre 1º e 21 de março, navios de carga de matérias-primas completaram apenas 124 travessias no total, uma retração de 95% em relação à média histórica, segundo levantamento da empresa de análise Kpler. Do total de travessias registradas, 75 foram realizadas por petroleiros e navios gaseiros, com a maior parte navegando em direção ao leste, saindo do estreito.

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