Quase 40 anos após o acidente com o césio-137, em Goiânia, os locais que foram atingidos pela contaminação passaram por transformações ao longo dos anos, mas ainda preservam vestígios físicos e simbólicos da tragédia que marcou a história do país.
O tema voltou a ganhar repercussão após o lançamento de uma série sobre o caso e também com conteúdos publicados nas redes sociais, como o da comunicadora Isa Bosco, que percorreu pontos importantes do acidente e mostrou como esses espaços estão atualmente.
DO HOSPITAL ABANDONADO AO CENTRO DE CONVENÇÕES
O acidente teve início em 13 de setembro de 1987, quando dois catadores retiraram um aparelho de radioterapia de uma clínica abandonada, o antigo Instituto Goiano de Radioterapia (IGR).
Há, o local abriga o Centro de Convenções de Goiânia. Apesar da mudança na estrutura, o espaço é reconhecido como o ponto inicial da tragédia. Após a retirada do equipamento, o material foi levado a um ferro-velho no Setor Aeroporto, onde a cápsula foi aberta e o conteúdo radioativo começou a se espalhar.
A área passou por intervenções para conter a radiação, com uso de concreto e isolamento do solo. Mesmo com as mudanças, o local ainda é lembrado como o ponto central da contaminação.
LOCAIS DE TRIAGEM E TRATAMENTO
Durante o acidente, o Estádio Olímpico — hoje Centro de Excelência do Esporte — foi utilizado como base de triagem. Mais de 100 mil pessoas passaram pelo local para exames e monitoramento.
O Hospital Geral de Goiânia (HGG) também teve papel importante no atendimento às vítimas, com a criação de uma ala específica para radioacidentados. Atualmente, a unidade segue em funcionamento pelo SUS.
ONDE ESTÁ O MATERIAL CONTAMINADO
Todo o material recolhido durante a descontaminação, como objetos pessoais, veículos e estruturas inteiras, foi levado para Abadia de Goiás, onde fica o depósito da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). O local abriga os rejeitos radioativos em estruturas seguras, cobertas por camadas de concreto, brita e solo, e segue sob monitoramento constante.
Segundo pesquisadores, mesmo com a redução da radiação ao longo dos anos, os riscos associados aos resíduos só devem desaparecer completamente após cerca de 200 anos. Atualmente, o Centro de Assistência aos Radioacidentados (Cara), ligado à Secretaria Estadual de Saúde, continua prestando atendimento a vítimas diretas e indiretas do acidente.
RELEMBRE O CASO
O acidente começou quando o equipamento foi desmontado e partes do material radioativo foram distribuídas entre pessoas que não sabiam do risco. Encantadas com o brilho azul do pó, algumas vítimas levaram fragmentos para casa, o que ampliou a contaminação. Ao todo, quatro pessoas morreram em decorrência da exposição.
A identificação do risco só ocorreu após Maria Gabriela Ferreira suspeitar da relação entre o objeto e os sintomas apresentados por familiares e vizinhos. Ela morreu semanas depois, assim como a menina Leide das Neves, de 6 anos, uma das vítimas mais conhecidas do caso.




