Uma reportagem exibida pelo “Jornal Nacional” na última terça-feira (24) trouxe detalhes sobre Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e os repasses milionários que ele recebeu de um fundo sob investigação. No entanto, a cobertura gerou críticas por não mencionar que o empresário foi responsável por doações expressivas nas eleições de 2022, incluindo recursos destinados às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
A matéria, disponível no Globoplay sob o título “Cunhado de Vorcaro recebeu quase R$ 200 milhões de fundo suspeito de lavagem de dinheiro”, destacou valores elevados movimentados por Zettel, além de suspeitas de lavagem de capitais e sua relação com o inquérito conduzido pela Polícia Federal. O foco esteve nos aspectos financeiros do caso e no volume de recursos envolvidos.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém, indicam que Zettel teve participação relevante no financiamento político recente. Registros públicos mostram que ele doou R$ 3 milhões para a campanha de reeleição de Bolsonaro e R$ 2 milhões para a candidatura de Tarcísio ao governo de São Paulo, figurando entre os maiores doadores pessoa física daquele pleito.
A ausência dessas informações na reportagem foi interpretada por críticos como uma lacuna relevante, por deixar de apresentar o contexto político ligado ao caso. Sem esse dado, a narrativa exibida ao público se concentrou exclusivamente nas suspeitas financeiras, sem explorar possíveis conexões com o financiamento de campanhas eleitorais.
“Pastor Zettel, super rico graças ao rombo no banco Master e roubo de aposentados. A Globo esqueceu de dizer que ele deu 3 milhões na conta de Bolsonaro e 40 milhões para igreja da Lagoinha, do pastor Valadão e Nikolas Ferreira”, escreveu o deputado federal Rogério Correia (PT-MG).
Após a exibição, a repercussão nas redes sociais foi imediata. Parlamentares e influenciadores questionaram a escolha editorial, apontando que a omissão enfraquece a compreensão do alcance político do episódio. As críticas destacam que o caso envolve não apenas movimentações financeiras suspeitas, mas também possíveis impactos no cenário político nacional.
A reportagem omitiu as doações milionárias feitas por Zettel a Bolsonaro e Tarcísio, levando a questionamentos sobre a imparcialidade da cobertura jornalística e a importância de apresentar o contexto completo nos meios de comunicação.




