“Devemos colocar em primeiro lugar a vida humana”, afirma especialista em saúde pública

Na segunda-feira, através de vídeo conferência, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, se reuniu com autoridades do estado e decretou lockdown alternativo por 14 dias. A medida foi tomada após a Universidade Federal de Goiás (UFG) divulgar novo estudo que estima um colapso hospitalar em julho e 18 mil mortes por Covid-19 até setembro. Na última semana, a redação do Jornal Diário do Estado apurou um agravamento no sistema de saúde goiano, especialistas afirmaram que o relaxamento no isolamento social foi um dos principais motivos.

Em entrevista a nossa redação, a professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), especialista em epidemiologia e saúde pública, Dra. Érika da Silveira, comentou sobre esse novo decreto do governador. Segundo ela, o governo cedeu um pouco a pressão dos comerciantes e empresários “a gente sabe sim o quanto esse fechamento do comércio tem impacto negativo na economia, mas devemos colocar em primeiro lugar a vida humana e em segundo lugar a saúde. Como teve essa reabertura precoce, os números da covid-19 dispararam e número de óbitos também. Poderíamos até passar sem o lockdown, mas a realidade é outra. Quando se pensa em gestão de saúde pública, esse cenário de ‘abre e fecha, abre e fecha’, é muito pior e muito inadequado”, ressalta Dra. Érika da Silveira.

Toda semana a professora abre diálogos sobre a pandemia do Covid-19 com pessoas, em diferentes regiões do mundo. Ela já fez lives nos USA, Noruega, Inglaterra, Senegal, Espanha, Canadá e México, para ela a medida de isolamento social são tomadas em todos esses países. “Por exemplo, no Canadá, as pessoas aderiram ao isolamento, e quando o governante pede para a população não ir a rua, o pedido é respeitado. No Brasil é diferente. Nos outros países tiveram vários pacotes de auxílio emergencial, que ajudaram a população a pagar o alimento, e despesas básicas. E também pacotes e medidas que auxiliaram os empresários. O estado é que deve dar essa tranquilidade.”

Para acompanhar o trabalho da professora “Projeto Covid-19”, toda quarta-feira. Siga: @erikasilveira1

Veja entrevista completa:

 

https://www.youtube.com/watch?v=lNgfoTN6TCc

 

 

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Vídeo: Circulação de fake news fez Goiás cair índice a cobertura vacinal infantil

Devido às baixas procuras por vacinas, em função da pandemia de Covid-19 e circulação de fake news, Goiás deu início nesta segunda-feira, 8, à Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e de Multivacinação para Atualização da Caderneta de Crianças e Adolescentes. O objetivo é reduzir o risco de transmissão de doenças imunopreveníveis, como a paralisia infantil, sarampo, catapora e caxumba. Este ano, a média da cobertura vacinal em Goiás está pouco acima dos 50%, ou seja, longe do ideal que 95%.

De acordo com a gerente do Plano de Nacional de Imunização (PNI) da Secretaria de Estado de Goiás, Clarice Carvalho, durante o período crítico da pandemia da Covid-1, no estado, muitos pais deixaram de levar as crianças até uma unidade de saúde para atualizar o cartão de vacinação. O medo, em parte, estava relacionado à doença, porém, a circulação de informações falsas contribuíram com o quadro.

“Muitas pessoas tinham receio de ir até uma unidade de saúde para se vacinar, mesmo estas unidades estando preparadas para acolher as pessoas. Ainda houve um receio, mas devido a circulação de fake news, informações incorretas, informações falsas, abordando a segurança da vacina”, explicou Clarice.

Para esse público, que ficou sem vacinar durante os últimos dois anos, os profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) vão elaborar um plano para que o esquema vacinal fique completo.

Além disso, de acordo com a gerente do PNI, em Goiás, diversos municípios já atuaram ativamente para buscar as crianças que precisam de algum imunizante.

“Os municípios têm trabalhado sim nesta busca ativa, indo nas casas, principalmente, para vacinar as crianças de acordo com as doses programadas para a sua idade”, explicou Clarice.

*Entrevista completa ao final do texto*

Multivacinação Infantil

A Campanha de Multivacinação está aberta em todos os 246 municípios goianos, com objetivo de sensibilizar pais e responsáveis a levarem as crianças e adolescentes aos postos de saúde para completarem o cartão vacinal.

Dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES) mostram que, nos últimos anos, as coberturas vacinais de todas as vacinas estão bem abaixo de 95%, meta preconizada pelo Ministério da Saúde (MS) para garantir a proteção coletiva de toda a população infantil. Este ano, a média da cobertura vacinal em Goiás está pouco acima dos 50%.

Risco

O Brasil já convive com a reintrodução de doenças que já haviam sido erradicadas. Dois anos depois da concessão do Certificado de País Livre do Sarampo, com a circulação do vírus dessa doença e a transmissão por mais de 12 meses consecutivos, o país perdeu essa certificação. De 2019 a 2020, foram 20 casos notificados em Goiás.

Também a difteria, que havia sido controlada, deixando de ser uma preocupação dos gestores de saúde, voltou a apresentar casos isolados. O último caso da doença havia sido notificado em 1998. Neste ano, foi registrado um caso da enfermidade, em Santa Helena de Goiás.

Com o vírus da poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, circulando em países da África e diante das baixas coberturas registradas nas crianças brasileiras, existe o risco do retorno dessa doença, prevenida com apenas duas gotinhas da vacina Sabin.

O Brasil não cumpre, desde 2015, a meta de imunizar 95% do público-alvo vacinado contra a poliomielite, patamar necessário para que a população seja considerada protegida contra a doença.

Sarampo, tétano, difteria, poliomielite, tuberculose, coqueluche, meningites e várias outras doenças são prevenidas com vacinas seguras, testadas e usadas há mais de 30 anos com sucesso no Brasil.

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