A primeira derrota de Bolsonaro em tribunal pode resultar em sua expulsão das Forças Armadas. O time jurídico do presidente tentou barrar a participação do tenente-brigadeiro do ar Joseli Parente Camelo no julgamento.
O caso envolve a tentativa de afastar Joseli por declarações consideradas pré-julgamento e antecipação de voto, com elogios a Lula e defesa da pacificação do país. As manifestações ocorreram em 2023, após invasão da sede dos três poderes, e antes de Bolsonaro e os militares serem denunciados pelo STF.
A presidente do STM considerou os argumentos da defesa “demasiadamente vazios e insuficientes”, observando que as declarações do colega não se referiram a nenhum militar específico sob investigação.
O STM é composto por 15 ministros, sendo 10 militares, como Joseli, e 5 civis, incluindo Maria Elizabeth. Joseli, indicado por Dilma Rousseff em 2025, foi secretário de Assuntos Militares do Planalto e piloto presidencial nos mandatos de Lula.
Em novo julgamento na Corte militar, Bolsonaro e os generais Paulo Sérgio Nogueira, Augusto Heleno e Walter Braga Netto serão avaliados quanto às condições éticas de permanecer nas Forças Armadas. A defesa do presidente tentou afastar Alexandre de Moraes da relatoria das investigações no STF, sem sucesso.
O Ministério Público Militar entrou com cinco representações para declarar a indignidade dos condenados pelo STF, incluindo Bolsonaro. O julgamento pode ser adiado pela “ala militar” do STM para ocorrer após as eleições.
As declarações de Joseli em 2023 foram consideradas legais e não envolveram opiniões relacionadas a fatores concretos de persecução penal. Com o processo em andamento, cada réu terá um relator e revisor próprios na Corte militar, seguindo ritmos individuais.
Os próximos passos envolvem a análise das representações do MP Militar, o que pode levar pelo menos seis meses. A “ala militar” busca adiar o julgamento dos condenados, incluindo Bolsonaro, para depois das eleições, segundo fontes ligadas ao caso.
Esta primeira derrota de Bolsonaro em tribunal traz repercussões de impacto. A atuação do STM e do STF no caso Master continua gerando desdobramentos importantes, com destaque para a postura adotada em relação aos envolvidos no “núcleo crucial” da trama golpista.



