Quem esteve presente no Sambódromo do Rio de Janeiro durante o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial de escolas de samba, teve a oportunidade de presenciar uma mostra de propaganda voltada para exaltar um pré-candidato à presidência, o presidente Lula. A Acadêmicos de Niterói, recém-promovida à elite do carnaval carioca, prestou homenagem a Lula com o enredo ‘Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil’. Antes do desfile, ações no TSE tentaram impedir a homenagem, sem sucesso, gerando discussões sobre a imparcialidade do Tribunal.
O desfile da escola incluiu provocações a Jair Bolsonaro, representado como o palhaço Bozo, e a reincidência da narrativa do ‘golpe’ que retirou Dilma Rousseff da Presidência, com Michel Temer caracterizado como um ladrão de faixa presidencial. Além disso, houve também momentos de preconceito contra evangélicos e conservadores, retratados de forma pejorativa. O foco principal da apresentação foi a glorificação da biografia de Lula, com visíveis apelos políticos visando as eleições deste ano.
A letra do samba fazia referências a slogans clássicos de campanha de Lula, como ‘olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!’, e abordava questões que provavelmente estarão em destaque na campanha eleitoral, como a ‘soberania’ em relação a ‘tarifas e sanções’ e a ‘comida na mesa do trabalhador’. Além disso, foram feitas menções ao número 13, associado ao PT e a Lula. Integrantes da escola realizaram gestos simbólicos, como desenharem um ‘L’, e Lula esteve presente na Marquês de Sapucaí para confraternizar.
As comparações entre a postura do TSE em relação a Lula e Bolsonaro têm sido levantadas, principalmente após Bolsonaro ser considerado inelegível por ‘abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação’ devido a uma reunião com embaixadores. A ministra Cármen Lúcia, por exemplo, votou de forma distinta em casos similares, o que gera questionamentos sobre a imparcialidade da corte eleitoral na avaliação dos desfiles e eventos políticos. A discussão sobre os critérios utilizados pelo TSE promete se intensificar diante do contexto político atual.




