O Grupo Arco-Íris, uma organização de defesa de direitos da população LGBTQIA+, está processando o Internacional pelo que caracteriza como repetidas “práticas discriminatórias” cometidas por pessoas do clube. A associação ingressou com uma Ação Civil Pública na Justiça do Rio de Janeiro em que pede retratação pública, promoção de ações educacionais e uma indenização por danos morais coletivos de R$ 5 milhões.

O Arco-Íris cita na ação episódios que envolvem o diretor técnico do Inter, Abel Braga, o treinador Ramón Diaz, que deixou o clube no fim do ano passado, e o lateral Bernabei. Todos são réus no processo. O caso de Abel ocorreu em novembro, em sua apresentação no Beira-Rio, quando ele afirmou que não queria os atletas treinando com uniforme rosa.

No mesmo dia, Abel se retratou numa rede social. O Arco-Íris, que é defendido pelo advogado Carlos Nicodemos, acionou o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), e o diretor acabou punido com cinco jogos de suspensão e multa de R$ 20 mil – recentemente ele conseguiu um efeito suspensivo.

Os episódios de discriminação no Internacional

Dias antes, o técnico Ramón Diaz havia feito uma declaração machista ao reclamar da marcação da arbitragem que o desagradou no empate com o Bahia. Assim como Abel, Ramón também se desculpou depois.
O terceiro episódio citado no processo envolve o lateral Bernabei. No jogo contra o Bragantino, em dezembro, que salvou o time gaúcho do rebaixamento na última rodada do Brasileirão, ele tirou o fone de ouvido de uma repórter mulher que estava no gramado e gritou “fala, agora” para ela.

“A ação é uma virada na estratégia de busca de respostas concretas em termos de reparação por violações de direitos humanos contínuas no ambiente do futebol. As decisões do STJD, em termos reparatórios, não resultam em nada para a sociedade e, especialmente, para a comunidade LGBTQI+, acabando por reforçar a impunidade e a reiteração de práticas violadoras”, afirmou o presidente do Grupo Arco-Íris, Claudio Nascimento.

“Assim, neste momento, recorreremos à Justiça comum para enfrentar o que já é público e do conhecimento de todos, práticas discriminatórias sistêmicas de clubes, atletas e agentes de futebol. Procurado, o Inter informou que ainda não foi citado.

Mudança de postura no futebol brasileiro

A luta contra a discriminação e o preconceito no futebol brasileiro tem sido cada vez mais intensa, com diversos casos sendo expostos e punidos. A atuação de grupos e organizações que defendem os direitos da população LGBTQIA+ tem sido fundamental para pressionar clubes e entidades esportivas a adotarem posturas mais inclusivas e respeitosas.

A trajetória de enfrentamento a atitudes discriminatórias no esporte ainda é longa, mas os avanços conquistados até o momento mostram que a sociedade está mais vigilante e disposta a combater qualquer forma de discriminação, seja no futebol ou em qualquer outro contexto social.

A garantia de um ambiente seguro e acolhedor para todos os profissionais e torcedores, independentemente de sua orientação sexual, é essencial para promover a igualdade e o respeito mútuo dentro e fora dos gramados. A diversidade é um dos pilares do esporte moderno e sua valorização fortalece os princípios de inclusão e equidade que devem nortear as relações no mundo esportivo.

O papel das instituições esportivas na promoção da diversidade

As instituições esportivas têm um papel crucial na promoção da diversidade e na desconstrução de estereótipos e preconceitos. Ao adotar políticas de inclusão e combate à discriminação, os clubes e federações esportivas contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Ações afirmativas, como a implementação de campanhas educativas e de conscientização, a criação de espaços seguros para profissionais LGBTQIA+ atuarem e participarem do esporte, e a punição de condutas discriminatórias, são passos importantes na direção de um ambiente mais respeitoso e acolhedor para todos os envolvidos no universo esportivo.

A diversidade é um valor que enriquece o esporte e a sociedade como um todo, e seu reconhecimento e promoção são fundamentais para a construção de um futuro mais inclusivo e igualitário. Ações como a promovida pelo Grupo Arco-Íris contra o Internacional são um exemplo da importância da mobilização social e institucional na defesa dos direitos humanos e da diversidade.