Achado de petróleo em Tabuleiro do Norte: agricultor aguarda resposta da ANP

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Tabuleiro do Norte, no Ceará, fica na região do Baixo Jaguaribe — Foto: Google Imagens

Há meses, um agricultor do Ceará espera resposta sobre o líquido preto que encontrou ao furar um poço em busca de água. É possível que o material seja petróleo. O caso aconteceu em Tabuleiro do Norte, cidade do sertão cearense situada a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza e próxima da divisa com o Rio Grande do Norte.

A região fica próxima à Bacia Potiguar, uma área de exploração de petróleo localizada entre o Ceará e o Rio Grande do Norte. Mesmo que seja confirmado que o material é petróleo, o agricultor não terá direito de comercializar o combustível.

A cidade Tabuleiro do Norte fica na região do Vale do Jaguaribe e tinha uma população estimada de 32.122 habitantes em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o município com o 29º maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal no Ceará.

Ainda conforme o IBGE, Tabuleiro do Norte pertencia a Limoeiro do Norte até 1957, ano em que teve sua emancipação política. A cidade surgiu de um povoado em torno de uma capela erguida por portugueses católicos, tendo sido chamada de Tabuleiro de Areia, Joaquim Távora e Ibicuipeba.

Um dos problemas enfrentados na cidade é a escassez de água em períodos de estiagem. A região do Baixo Jaguaribe teve registros de grandes ciclos de seca, em anos como 1777 e 1830. No século XXI, a região também foi afetada durante o ciclo de estiagem entre 2012 a 2014.

Nesta segunda-feira (2), Tabuleiro do Norte foi uma das 15 cidades do Nordeste que tiveram situação de emergência decretada pelo Ministério da Integração Nacional por conta da estiagem e da seca. No Ceará, outras cidades da lista foram Assaré, Irauçuba e Pedra Branca.

Com a medida, as prefeituras podem solicitar apoio do governo federal para ações de assistência à população, restabelecimento de serviços essenciais e recuperação de áreas atingidas.

Assim como outras cidades da região do Baixo Jaguaribe, Tabuleiro do Norte é abastecida pelo açude Castanhão, o maior reservatório do Ceará.

A propriedade de Sidrônio Moreira, que encontrou o líquido preto ao tentar perfurar um poço, não possui água encanada. Em boa parte do ano, o local é abastecido por carregamentos de água de carro-pipa, pagos pela família do agricultor.

Em busca de água, Sidrônio chegou a fazer um empréstimo de R$ 15 mil para pagar pelas perfurações do solo. Em vez disso, ele encontrou um líquido viscoso, escuro, de odor característico semelhante ao de óleo automotivo.

Um vídeo gravado pela família, em novembro de 2024, mostra o momento em que Sidrônio e a equipe contratada furam o primeiro poço, após a contratação do empréstimo. Em determinado momento, um líquido escuro emerge do buraco e o agricultor chega a comemorar, pensando se tratar de água.

Tabuleiro do Norte não está inserido em nenhum bloco de exploração de petróleo, mas a localidade onde o líquido preto foi descoberto está a apenas 11 quilômetros do bloco de exploração mais próximo.

Meses após ser notificada, a Agência Nacional do Petróleo disse que vai apurar o caso. Em junho de 2025, o filho de Sidrônio, o gerente de vendas Saullo Moreira, procurou a equipe do Instituto Federal do Ceará (IFCE) de Tabuleiro do Norte em busca de orientação.

Ele conversou com o engenheiro químico Adriano Lima, agente de inovação do campus para o Vale do Jaguaribe. Após receber uma amostra do material, Adriano levou o líquido para análise no Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró (RN), onde realizaram análises físico-químicas do líquido.

Testes laboratoriais apontaram que a amostra do líquido encontrada tem as mesmas características físico-químicas do petróleo de jazidas da região vizinha, no Rio Grande do Norte. A confirmação oficial, porém, só pode ser feita por um laboratório credenciado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Em fevereiro deste ano, o órgão confirmou ao DE que recebeu o aviso e que vai investigar o caso. A ANP também disse que vai contatar “o órgão de meio ambiente competente para as providências cabíveis”, mas não informou quais são as medidas nem qual o órgão responsável.

Caso seja confirmada como petróleo, isso não significa necessariamente que a exploração da área seja possível ou financeiramente vantajosa. Após a confirmação e delimitação das jazidas, a ANP divide a região em blocos de exploração, que serão leiloados para empresas realizarem a exploração de petróleo.

Enquanto aguarda resposta da ANP, a família de Sidrônio continua precisando de água. Para além dos custos para pagar novas perfurações em outros pontos da propriedade, a própria descoberta do óleo tornou a busca por um poço artesiano mais complexa.

A família foi alertada que, se um poço fosse perfurado incorretamente, o óleo poderia vazar para o lençol freático e contaminar a água da região, gerando uma série de problemas ambientais.

Ao DE, o filho de Sidrônio, Saullo Moreira, destacou que a família preferia ter encontrado água. Diante da possibilidade de encontrar petróleo, eles esperam que o processo seja resolvido o quanto antes para que eles saibam o que fazer com a propriedade.

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