Após 30 anos, vítimas do acidente com césio-137 dizem sofrer com a falta de apoio médico
Há quase quarenta anos Goiânia vivenciou o maior acidente radiológico da história. Em 1987, o Césio-137 mudou drasticamente a vida dos goianos. De acordo com dados oficiais do governo, quatro pessoas morreram diretamente devido ao acidente. No entanto, os reflexos da tragédia são inúmeros.
Mais de mil pessoas ainda frequentam o Centro de Assistência ao Radioacidentado (Cara), órgão criado em 2011 para prestar apoio à população afetada pelo material radioativo.
QUEM SÃO AS VÍTIMAS DO CÉSIO-137?
De acordo com informações divulgadas pelo Governo de Goiás, na época, um monitoramento realizado no Estádio Olímpico avaliou mais de 112.800 pessoas, das quais 249 apresentaram algum grau de contaminação e 129 necessitaram de acompanhamento médico permanente.
O acidente resultou em quatro vítimas fatais diretas, que faleceram entre quatro e cinco semanas após a exposição devido à Síndrome Aguda da Radiação (SAR):
Recentemente, o governo de Goiás apresentou um projeto com a finalidade de atualizar os valores pagos aos beneficiários que atuaram na descontaminação da área atingida, na vigilância do depósito provisório em Abadia de Goiás e no atendimento de saúde às vítimas diretas do acidente radioativo.
RELEMBRE O ACIDENTE
O acidente radioativo teve início em 13 de setembro de 1987, quando Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves retiraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). Eles levaram a peça para a casa de Roberto, na Rua 57, onde removeram o lacre da cápsula que continha césio-137 na forma de pó, semelhante ao sal de cozinha, mas que emitia um intenso brilho azul no escuro.
O acidente foi oficialmente identificado no dia seguinte, 29 de setembro, pelo físico Walter Mendes, que confirmou os altos níveis de radiação e iniciou o isolamento das áreas afetadas.




