Acordo de integração entre governo sírio e forças curdas marca nova era na Síria

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O governo na Síria e as forças curdas chegaram a um amplo acordo de integração para encerrar os confrontos que estavam em curso. As Forças Democráticas Sírias, lideradas por curdos, haviam resistido à ideia de se integrarem ao governo que governa a Síria desde a queda de Bashar al-Assad no final de 2024.

Um ponto importante desse acordo é que as autoridades civis e militares curdas serão colocadas sob o controle do governo central, o que marca uma mudança significativa na região. Isso ocorre após tropas sírias terem capturado territórios estratégicos, incluindo campos petrolíferos durante os combates.

O enviado dos Estados Unidos, Tom Barrack, destacou o acordo como um ponto de inflexão crucial, embora tenha ressaltado que ainda há desafios a serem superados para finalizar todos os detalhes. O acordo representa um desafio para as Forças Democráticas Sírias, que governaram a região nordeste da Síria de forma semiautônoma por mais de uma década.

O líder das FDS, Mazloum Abdi, confirmou que o grupo concordou em se retirar de duas províncias de maioria árabe: Deir al-Zor e Raqqa. Essas regiões são estratégicas por serem áreas produtoras de petróleo, trigo e possuírem importantes barragens hidrelétricas ao longo do rio Eufrates.

O acordo de 14 pontos publicado pela presidência síria foi assinado pelo presidente sírio Ahmed al-Sharaa e por Abdi, líder das FDS, indicando uma aproximação entre as partes. A integração das estruturas militares e civis curdas às instituições do Estado sírio é um dos principais objetivos do acordo.

Embora os combates tenham sido encerrados conforme o acordo, enfrentamentos esporádicos ainda foram registrados em algumas regiões. O texto exige que todas as forças das FDS sejam incorporadas individualmente aos ministérios centrais da Defesa e do Interior, diferentemente da exigência anterior de se manter unidades curdas inteiras.

Ademais, o acordo prevê a entrega de passagens de fronteira, campos de gás e petróleo, bem como prisões e campos de combatentes do Estado Islâmico ao governo central. Também é acordado o combate à presença de figuras não sírias ligadas ao PKK, grupo militante curdo incardinado há décadas.

A mediação dos Estados Unidos foi fundamental nesse processo, visto que se viram no desafio de conciliar o apoio histórico às FDS na luta contra o Estado Islâmico com a nova abordagem de apoio a Sharaa. As tropas sírias seguiram seu avanço mesmo após o pedido público dos EUA para uma interrupção das operações, evidenciando a complexidade da situação na região.

Esse acordo representa um passo significativo na tentativa de unificar a Síria sob um governo central que garanta a segurança e proteção de todos os sírios. A integração das estruturas curdas ao Estado é um desafio a ser superado, mas pode representar uma nova era de estabilidade e cooperação na região.

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