Acordo nuclear entre Irã e EUA: Urânio será convertido em combustível irreversível

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O Irã havia concordado em abrir mão de todos os seus estoques de urânio enriquecido durante negociações com os Estados Unidos, antes de ser alvo de ataques realizados por Israel e pelos EUA. A informação foi divulgada pela agência Sputnik, com base em declarações do ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi.

Segundo a Sputnik, o chanceler omanense afirmou que Teerã aceitou atender a uma das principais exigências de Washington para a celebração de um acordo nuclear: eliminar seus estoques de urânio enriquecido. Em entrevista à CBS, al-Busaidi declarou: “The current stockpiles that… still exist, I think that there is agreement now that this will be down blended to the lowest level possible, to a neutral level, a natural level. Which means… converted into fuel and that fuel will be irreversible”.

De acordo com o ministro de Omã, os estoques ainda existentes seriam diluídos ao nível mais baixo possível — descrito como “neutral” e “natural” — e posteriormente convertidos em combustível nuclear. Esse combustível, segundo ele, seria irreversível, o que impediria sua reconversão para níveis mais elevados de enriquecimento. A medida atende a uma demanda central dos Estados Unidos nas tratativas: impedir que o Irã mantenha reservas estratégicas de urânio enriquecido que possam ser utilizadas além de fins energéticos civis. A conversão irreversível representaria, nesse contexto, um gesto significativo de flexibilização por parte de Teerã.

Ainda conforme a Sputnik, Badr al-Busaidi atuou como mediador direto entre as delegações iraniana e americana. Ele conduziu a troca de mensagens entre as partes durante a terceira rodada de consultas sobre a questão nuclear iraniana, encerrada na noite de quinta-feira, em Genebra. As negociações tinham como foco central a busca por um entendimento em torno do programa nuclear do Irã e das exigências apresentadas por Washington. A concordância iraniana quanto à redução e conversão dos estoques era apontada como um dos elementos-chave para viabilizar um acordo.

As declarações do chanceler de Omã ganham relevância diante do fato de que, posteriormente, Israel e os Estados Unidos realizaram ataques contra o Irã. A revelação de que havia entendimento em relação à redução dos estoques de urânio acrescenta um elemento político relevante à sequência de eventos. Até o momento, as informações divulgadas indicam que as negociações estavam em andamento e que existia concordância quanto à destinação do material enriquecido. Não há detalhes adicionais sobre eventuais impasses, prazos ou garantias discutidas nas conversações.

O enriquecimento de urânio é historicamente um dos pontos mais sensíveis nas negociações entre Irã e Estados Unidos. Para Washington, a eliminação ou diluição dos estoques enriquecidos é condição essencial para limitar a capacidade técnica do programa nuclear iraniano. Por sua vez, Teerã sustenta seu direito ao uso pacífico da energia nuclear. A conversão irreversível do material, conforme descrita por al-Busaidi e publicada pela Sputnik, indicava um avanço diplomático antes da escalada militar. O desdobramento desses acontecimentos tende a influenciar o futuro das negociações e o equilíbrio regional, em um cenário já marcado por forte tensão entre Irã, Israel e os Estados Unidos.

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