Acusado de conspiração, Don Lemon é preso nos EUA após ato contra ICE de Trump

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Jornalista é preso nos EUA após manifestação contra o ICE

Don Lemon a é acusado de conspiração contra direitos civis após ato contra política migratória de Trump

30 de janeiro de 2026, 12:40 h

Don Lemon (Foto: REUTERS/Kylie Cooper) Apoie o 247 Siga-nos no Google News

O ex-apresentador da CNN Don Lemon foi preso nos Estados Unidos por envolvimento em um protesto que interrompeu um culto religioso em uma igreja de St. Paul, no estado de Minnesota. A detenção ocorreu após uma manifestação realizada no início do mês contra a política de imigração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo confirmaram o advogado do jornalista e uma autoridade do Departamento de Justiça norte-americano. As informações são da Reuters.

Lemon transmitiu o protesto ao vivo pela internet e afirmou estar no local para cobrir o ato jornalisticamente. A manifestação acabou interrompendo uma celebração religiosa, o que motivou a atuação das autoridades federais.

De acordo com um funcionário do Departamento de Justiça familiarizado com o caso, Don Lemon foi formalmente acusado de conspiração para privar terceiros de seus direitos civis e de violar o Freedom of Access to Clinic Entrances Act (FACE Act), legislação de 1994 que proíbe a obstrução do acesso a locais de culto e clínicas de aborto. A prisão foi realizada em Los Angeles por agentes do FBI e do Homeland Security Investigations.

O advogado de Lemon, Abbe Lowell, reagiu duramente à detenção e classificou a medida como um ataque às liberdades constitucionais. Segundo ele, a prisão representa um “ataque sem precedentes à Primeira Emenda”, em referência às garantias de liberdade de expressão e de imprensa previstas na Constituição dos Estados Unidos.

O caso ocorre em meio a uma série de ações do Departamento de Justiça durante o governo Trump contra críticos e adversários percebidos do presidente. Tentativas anteriores de processar figuras como o ex-diretor do FBI James Comey e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, acabaram fracassando. Também foram abertas investigações contra parlamentares democratas, um ex-diretor da CIA e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que resistiu a pressões de Trump para reduzir rapidamente os juros.

A relação do presidente dos Estados Unidos com a imprensa tem sido marcada por confrontos frequentes. Trump costuma atacar jornalistas e veículos de comunicação e, em alguns casos, recorre a ações judiciais ou à retirada de credenciais de acesso à Casa Branca. No início do mês, agentes do FBI apreenderam equipamentos eletrônicos na casa de um repórter do Washington Post que cobria demissões em massa no governo federal, sob a justificativa de investigar vazamentos de informações sigilosas — medida que gerou críticas de entidades de defesa da liberdade de imprensa.

No episódio ocorrido em Minnesota, Lemon afirmou que havia sido avisado previamente sobre o protesto, mas disse não saber que os ativistas planejavam interromper o culto. Imagens da transmissão mostram o jornalista discutindo com um paroquiano sobre a aplicação das leis de imigração. Autoridades do governo Trump condenaram rapidamente o ato e acusaram os manifestantes de intimidar fiéis cristãos.

Três pessoas envolvidas diretamente na interrupção do serviço religioso foram presas logo após o protesto e acusadas de violar o FACE Act. Inicialmente, no entanto, uma juíza magistrada recusou-se a expedir mandados de prisão contra Lemon e o produtor de vídeo que o acompanhava, alegando ausência de “fundamentos suficientes” para caracterizar crime.

Em resposta, o Departamento de Justiça adotou uma medida incomum ao recorrer com pedidos emergenciais para que o juiz federal-chefe de Minnesota, Patrick Schiltz, e posteriormente a Corte de Apelações do 8º Circuito, revertessem a decisão da magistrada. Schiltz repreendeu os promotores e afirmou que, em caso de discordância, o caminho adequado seria buscar uma acusação formal por meio de um grande júri.

Em decisão registrada nos autos, Schiltz escreveu que Lemon e o produtor “não eram manifestantes de forma alguma” e acrescentou: “Não há qualquer evidência de que esses dois tenham praticado comportamento criminoso ou conspirado para isso.”

O Departamento de Justiça não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. Don Lemon trabalhou por 17 anos na CNN, onde se tornou uma das figuras mais conhecidas da emissora. Ele foi demitido em 2023 após comentários feitos no ar sobre mulheres e sobre a então pré-candidata republicana Nikki Haley, considerados amplamente sexistas, episódio pelo qual se desculpou posteriormente.

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