CURITIBA (PR) — O ex-namorado de Isabelly Aparecida Ferreira Moro, Marlon Ferreira Lemes, foi condenado a 23 anos e três meses de prisão em regime fechado pelo tribunal do júri de Jacarezinho, no Norte do Paraná, na noite desta terça-feira (9). O julgamento, que durou dois dias, considerou Marlon culpado pela tentativa de feminicídio contra a jovem, que foi atacada com soda cáustica em maio de 2024. A sentença incluiu ainda indenização de R$ 50 mil por danos morais.
O crime ocorreu em 22 de maio de 2024, quando Isabelly, então com 22 anos, se dirigia a uma academia no centro de Jacarezinho. Uma mulher disfarçada com peruca e roupas largas se aproximou e jogou soda cáustica no rosto e no peito da vítima, fugindo em seguida. Câmeras de segurança flagraram o momento em que Isabelly correu pedindo socorro. Um barbeiro a levou ao hospital, onde ela ficou internada por cerca de 30 dias, com queimaduras de segundo grau na boca, garganta e tronco, além de um quadro infeccioso que exigiu intubação e ventilação mecânica.
Crime planejado com soda cáustica
As investigações conduzidas pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) apontaram que o ataque foi minuciosamente arquitetado por Marlon, mesmo após ele já estar preso por um roubo de celular. De acordo com a denúncia, ele convenceu sua então companheira, Débora Aparecida Custódio Ferreira, a executar o ataque. A análise de dados do celular de Débora revelou conversas e pesquisas sobre o produto químico. O sentimento de posse e vingança pelo término do relacionamento foi apontado como motivo torpe, e o uso da soda cáustica, um agente altamente corrosivo, configurou meio cruel. O fato de Isabelly ter sido atacada de surpresa, com a executora disfarçada, dificultou a sua defesa, agravando ainda mais a pena.
A sessão do júri começou na segunda-feira (8) e ouviu testemunhas, a própria vítima, além de assistentes de acusação e defesas. O Conselho de Sentença manteve todas as qualificadoras: recurso que dificultou a defesa, motivo torpe e meio cruel. Além da prisão, Marlon deverá pagar R$ 50 mil a Isabelly a título de indenização por danos morais.
Defesa abandona julgamento e corré aguarda nova data
Débora Aparecida Custódio Ferreira, apontada como executora do crime, também estava sendo julgada, mas sua defesa abandonou o plenário no início da tarde de terça-feira, alegando que o julgamento “não estava sendo justo”. Com isso, ela será submetida a um novo tribunal do júri em data ainda não definida. Débora está presa na Cadeia Pública de Santo Antônio da Platina desde maio de 2024. Em depoimento anterior, ela confessou ter jogado a soda cáustica e afirmou que Marlon a orientou a usar disfarce. “Ele queria jogar a soda nela para deixá-la feia”, disse Débora em depoimento aos veículos de imprensa.
Marlon, que já estava preso preventivamente na Penitenciária Estadual de Londrina, continuará recolhido em regime fechado. A defesa dele não se manifestou até o momento. O caso ganhou ampla repercussão no estado e reacendeu debates sobre violência de gênero e feminicídio tentado.



