CURITIBA (PR) — Uma adolescente de 16 anos, que estava desaparecida desde a última terça-feira (2) em Congonhinhas, no Norte Pioneiro do Paraná, foi localizada dentro de um ônibus interestadual na rodovia SP-255, em Boa Esperança do Sul, interior de São Paulo. A jovem, que está grávida de três meses, estava acompanhada de um pedreiro de 38 anos, com quem mantinha um relacionamento amoroso há cerca de dois anos, segundo depoimento dela própria às autoridades. O homem foi ouvido e liberado pela Polícia Civil de Araraquara, mas passou a ser investigado pelos crimes de subtração de incapazes e estupro de vulnerável — este último, conforme relato da mãe da adolescente, teria ocorrido quando a jovem ainda não tinha 14 anos.
A localização da menor ocorreu após uma ação do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR), que recebeu informações de que ela teria sido levada pelo pedreiro e que ambos estariam em um ônibus com destino a Ribeirão Preto, partindo de Londrina (PR). Os policiais montaram uma barreira próximo a uma praça de pedágio em Boa Esperança do Sul e abordaram o veículo na noite de terça-feira. Durante a fiscalização, encontraram o homem e a adolescente juntos.
Versões divergentes sobre a fuga da adolescente
Em depoimento separado, o pedreiro afirmou aos policiais que havia saído do Paraná rumo a Ipanema (MG), onde pretendia trabalhar. Ele disse que a adolescente teria manifestado o desejo de deixar a casa da família devido a conflitos com a mãe, e que por isso viajaram juntos. A jovem, por sua vez, confirmou que o relacionamento com o pedreiro durava aproximadamente dois anos e que estava grávida, razão pela qual ambos teriam decidido sair do estado para morar juntos em Minas Gerais. O caso foi registrado na Delegacia de Araraquara, mas a apuração sobre a subtração de incapazes e o suposto estupro de vulnerável tramita na Justiça do Paraná, com central em CURITIBA.
Durante as diligências, a polícia entrou em contato com a mãe da adolescente. Ela informou que o pedreiro havia deixado a cidade com o pretexto de trabalhar em Minas e que, somente na terça-feira, a escola notou a ausência da filha, motivando o registro de ocorrência de desaparecimento. A mãe também afirmou que o homem teria confessado a ela, anteriormente, que a adolescente havia sido vítima de estupro de vulnerável quando ainda não tinha 14 anos — informação que será investigada. A defesa do pedreiro não foi localizada para comentar o caso até o momento.
Adolescente acolhida e encaminhada à família
Após a abordagem, os envolvidos foram conduzidos ao Plantão Policial de Araraquara. A adolescente foi encaminhada a um local de acolhimento em Boa Esperança do Sul, onde permaneceu até a chegada da mãe, que viajou até o município paulista para buscá-la. O pedreiro foi liberado após prestar depoimento, mas responderá em liberdade enquanto as investigações prosseguem. A Polícia Civil de São Paulo e do Paraná trabalham em conjunto para esclarecer as circunstâncias do desaparecimento e a natureza do relacionamento entre a menor e o adulto.
Investigação por estupro de vulnerável e subtração de incapazes
O boletim de ocorrência registrado em Araraquara aponta os indícios dos crimes de subtração de incapazes (artigo 249 do Código Penal) e estupro de vulnerável (artigo 217-A), este último por se tratar de ato sexual com menor de 14 anos, independentemente de consentimento. A mãe da adolescente, acompanhada pelo diretor da escola que percebeu a falta da aluna, prestou depoimento na quarta-feira (3) na delegacia paulista. O caso deve ser remetido à Vara da Infância e Juventude da comarca de Congonhinhas, no Paraná, para acompanhamento das medidas de proteção à adolescente e ao bebê.



