Adolescente perde testículo após aguardar 12 horas por transferência em Botucatu: mãe denuncia negligência

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Adolescente perde testículo após esperar mais de 12 horas por transferência e caminhar 8 km até DE em Botucatu

Segundo mãe, jovem de 15 anos aguardou no Pronto-Socorro Adulto (PSA) da cidade por vaga via Cross, não foi informado sobre a liberação da transferência e acabou indo a pé até o Hospital das Clínicas, onde passou por cirurgia após diagnóstico de torção testicular.

Um adolescente de 15 anos perdeu o testículo direito após aguardar mais de 12 horas por uma transferência médica entre o Pronto-Socorro Adulto (PSA) de Botucatu (SP) e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB).

Segundo a mãe do jovem, ele chegou a caminhar cerca de oito quilômetros, sozinho, até a unidade hospitalar.

O caso aconteceu entre os dias 6 e 8 de fevereiro. O DE ouviu a versão da mãe, Claudineia Rodrigues dos Santos, e procurou a Prefeitura de Botucatu, responsável pelo PSA, e o Hospital das Clínicas da Unesp.

A mãe denuncia negligência por parte do município devido à demora na transferência do filho, que apresentava quadro de torção testicular, condição considerada emergência médica, pois pode levar à perda do órgão se não tratada rapidamente.

Sexta-feira (6 de fevereiro)

7h – De acordo com a Prefeitura de Botucatu, o adolescente relatou ter começado a sentir dores nos testículos por volta das 7h, enquanto estava em casa.

11h – O jovem procurou sozinho a Unidade de Saúde da Família de Rubião Júnior, distrito de Botucatu. Ele não estava acompanhado por um responsável.

Após atendimento inicial e suspeita de torção testicular, a equipe acionou a mãe e o encaminhou ao Pronto-Socorro Adulto para realização de exames complementares.

O adolescente deu entrada na emergência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp. Apesar de a unidade não atender casos de portas abertas, o hospital localizou o encaminhamento via Cross e realizou o atendimento.

A Prefeitura de Botucatu afirma que, após o aceite da transferência, o adolescente não foi localizado no Pronto-Socorro para ser encaminhado por ambulância. Segundo nota enviada ao DE, o atendimento foi encerrado com o registro de evasão.

A versão diverge do relato da mãe. Claudineia afirma que permaneceu com o filho na unidade até cerca das 23h30 e que não foi informada de que a vaga já havia sido liberada.

Segundo a mãe, o adolescente sentia dores intensas e, já no fim da noite, saiu sozinho do Pronto-Socorro e foi a pé até o Hospital das Clínicas, um percurso de aproximadamente oito quilômetros.

Domingo (8 de fevereiro)

O adolescente recebeu alta hospitalar. Segundo o Hospital das Clínicas, a cirurgia ocorreu sem intercorrências e o paciente se recupera bem. A mãe informou ainda que procurou a ouvidoria do município para relatar o caso.

A Prefeitura de Botucatu esclarece que o paciente referiu início dos sintomas por volta das 7h da sexta-feira e procurou sua Unidade Básica de Saúde, recebeu atendimento e foi encaminhado ao Pronto-Socorro Adulto.

O paciente deu entrada e recebeu a primeira avaliação médica ocorreu por volta das 14h30. Após avaliação e medicação, a equipe médica solicitou a transferência para o Hospital das Clínicas para avaliação da equipe de urologia.

Em nota, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp (HCFMB) informou que recebeu, por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), a solicitação de vaga referente ao paciente V.J.R.S. no dia 6 de fevereiro, às 17h07.

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