Advogada relata perseguição e impactos emocionais após ataques online

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“Perdi o sono e precisei de terapia”, diz advogada alvo de ataques de homem
preso por perseguir membros do Judiciário no PR

Rafaela Polidoro relata perseguição, difamação e incitação ao ódio após processo
de família. Homem preso no Rio de Janeiro também publicou insultos contra
promotora e juízes.

“Perdi o sono e precisei de terapia”, diz advogada alvo de ataques hh

A advogada Rafaela Polidoro afirmou que os ataques promovidos por Vinícius
Guedes Sin, preso por perseguir membros do sistema de Justiça do Paraná
[https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/01/19/homem-e-preso-no-rio.ghtml]
causaram impactos em sua vida pessoal e profissional. Segundo ela, as agressões
virtuais incluíram calúnia, difamação, injúria e incitação ao nazismo.

> “Tudo isso me afetou muito. Eu tive que deixar o escritório para lidar com
> esses ataques. Perdi o sono, precisei de terapia e de cuidar da minha saúde
> emocional”, relatou.

A declaração foi feita após a prisão de Vinícius, de 40 anos, suspeito de
perseguir e atacar, pela internet, uma promotora de Justiça, uma juíza e a
própria advogada — todas envolvidas em um processo de família que trata da
guarda do filho dele. A prisão ocorreu na segunda-feira (19), no Recreio dos
Bandeirantes, no Rio de Janeiro
[https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/cidade/rio-de-janeiro/], por
determinação da Justiça do Paraná.

As vítimas afirmam que os ataques tiveram recorte claro de violência de gênero,
uma vez que o homem direcionou as acusações e perseguições principalmente contra
mulheres envolvidas no processo. Segundo elas, as ofensas tinham como objetivo
deslegitimar a atuação profissional e intimidá-las.

A defesa de Vinícius informou ao DE que ele não praticou violência de gênero nem
vicária.

O investigado criou um site com conteúdo ofensivo para atingir o maior número
possível de pessoas e instituições. No conteúdo publicado, ele questiona
decisões judiciais, ataca diretamente a atuação das profissionais e faz
comparações com o chamado “Quarto Reich”, termo associado ao nazismo.

> “Tudo o que está no site é considerado perseguição. Ele passou da violência
> contra a ex-esposa para atacar todas as mulheres envolvidas no processo”,
> afirmou.

A Polícia Civil informou que o homem divulgava informações protegidas por
segredo de Justiça e utilizava denúncias institucionais de forma abusiva para
intimidar as vítimas. A Justiça decretou a prisão preventiva pelos crimes de
perseguição, denunciação caluniosa e violação de segredo de Justiça, além da
retirada do site do ar.

Dispositivos eletrônicos foram apreendidos e passarão por perícia. O suspeito
permanece à disposição da Justiça do Paraná.

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PROMOTORA DE JUSTIÇA TAMBÉM FOI VÍTIMA

A promotora de Justiça Simone Lúcia Lórens contou ao DE que os ataques contra
ela começaram em novembro, quando Vinícius começou a encaminhar a órgãos
superiores denúncias contra ela.

“À medida que fazia essas representações, ele me encaminhava cópia por e-mail,
antes mesmo de eu ser formalmente notificada pelo Conselho Nacional do
Ministério Público. No contato, dizia que havia me representado e que eu ainda
teria tempo para “mudar de postura” no processo”, conta.

Com o passar dos dias, Simone relata que o homem começou a perseguir pessoas
próximas a ela e enviar mensagens mentirosas alegando que ela estaria
“torturando o filho dele há cerca de 26 meses”.

“Com o passar do tempo, surgiram também acusações de que eu seria chefe ou
mentora de uma organização criminosa formada por outras operadoras do Direito.
Depois me acusou de crimes diversos e até intolerância religiosa”, disse.

A promotora ressalta que a criação do site e a disseminação dos ataques mudou
completamente a sua rotina.

“Precisei trabalhar com escolta policial e também de casa. Passei muitos dias
sem sair de casa. Mudei toda a minha rotina, deixei de fazer atividades básicas
do dia a dia e passei a ficar reclusa”, afirma.

ATAQUES COMEÇARAM APÓS JUSTIÇA RESTRINGIR VIAGEM DE CRIANÇA

Segundo a advogada, os ataques começaram há cerca de seis meses após decisões
judiciais que determinaram visitas supervisionadas da criança ao pai, realizadas
em Cascavel, e restringiram a ida do menor ao Rio de Janeiro.

“As visitas sempre aconteceram quando a criança quis. Nunca houve proibição de
convivência”, explicou.

Ainda segundo Rafaela, o homem passou a acusá-la de crimes, insinuou relações
pessoais com magistrados e atacou outras profissionais do caso.

> “Ele dizia que eu arquitetava crimes, que era ‘advogada do diabo’ e chegou a
> afirmar que éramos responsáveis por um ‘Quarto Reich’”, disse.

Ela afirma que foram solicitadas medidas protetivas e cautelares para cessar a
exposição e os ataques.

“Ninguém nunca quis que isso chegasse a esse ponto. Todas as medidas foram
fundamentadas”, afirmou Rafaela.

Segundo a advogada, apesar da prisão, não há impedimento legal para que o homem
veja o filho, desde que respeitadas as determinações judiciais.

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