Uma agência de turismo de Marau, no Norte do Rio Grande do Sul, está sob investigação por suspeita de aplicar um golpe em mais de 100 clientes da região. A empresa, chamada Personalize Viagens e Turismo, é alvo de inquéritos na Polícia Civil e no Ministério Público (MP) após denúncias de consumidores que tiveram seus pacotes de viagem cancelados sem aviso prévio. O prejuízo total pode ultrapassar R$ 1 milhão. Segundo os relatos dos clientes, os pacotes contratados incluíam voos, hospedagem e transporte. No entanto, às vésperas da data marcada para a viagem, a agência parava de responder aos contatos e cancelava as reuniões de pré-embarque, deixando os consumidores sem assistência.
Até o momento, a Polícia Civil registrou cerca de 30 ocorrências formais, mas um grupo de clientes já reúne mais de 100 denúncias contra a agência. Em um dos casos relatados, o pai de uma cliente conseguiu viajar, mas seus dados teriam sido utilizados para contrair dívidas que somam mais de R$ 20 mil. O estudante de medicina João Marcelo Fioravanço Ferreira conta que planejou uma viagem de cruzeiro por aproximadamente um ano. Ele expressa sua frustração dizendo: “Tínhamos uma viagem marcada para agora no final do mês. Mais ou menos uma semana atrás, a gente começou a pedir maiores orientações, e eles sempre tinham respostas evasivas. A gente está nessa luta para ver se vai conseguir algum valor ou que haja alguma punição”.
A frustração também é compartilhada pelo estudante de direito Luiz Eduardo Alerico, que planejava a viagem com a família e amigos há mais de um ano. Ele desabafa: “É complicado, você faz horas e horas no trabalho para pegar folga, compra roupa, se organiza, e aí do dia para a noite você vê que toda aquela mobilização e o dinheiro investido simplesmente não vão ter retorno nenhum”. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o caso. Paralelamente, o Ministério Público instaurou um inquérito civil para investigar a suspeita de lesão coletiva aos consumidores. O órgão está reunindo informações sobre a empresa e os tipos de danos relatados.
Procurada, a Personalize Viagens e Turismo informou que não vai se manifestar no momento, mas afirmou que realiza um levantamento interno das informações relacionadas ao caso. O Ministério Público orienta que os clientes que se sentiram lesados registrem uma reclamação no Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), com os contratos e documentos em mãos, façam um boletim de ocorrência na polícia e procurem a Promotoria de Justiça para incluir suas informações no inquérito civil. Os representantes das vítimas defendem que as investigações ocorram de maneira transparente e eficaz, visando garantir o ressarcimento integral dos prejudicados e a punição dos responsáveis pela empresa em questão. Agora, cabe às autoridades competentes conduzirem as investigações para esclarecer o ocorrido e buscar justiça para os consumidores afetados.




