A Agrishow, uma das mais importantes feiras do agronegócio brasileiro, gerou R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios nesta edição de 2026, um retrocesso de 25% em relação aos R$ 15,2 bilhões registrados em 2025. Este marco marca a primeira queda nos resultados comerciais em 11 anos, culminando em preocupações sobre o impacto de fatores econômicos no setor. O evento, que encerra suas atividades nesta sexta-feira (1), levantou questionamentos sobre como o cenário econômico pode afetar os pequenos e médios empresários do campo.
Nos últimos anos, a Agrishow tem sido um termômetro para o comportamento do setor, com a edição de 2025 apresentando um faturamento recorde. Ao longo de sua história de 31 anos, apenas uma outra edição havia registrado resultados negativos, em 2015, quando as intenções de negócios caíram 30% em relação ao ano anterior. A situação atual traz à tona a necessidade de adaptação do setor agro às novas realidades do mercado e a busca por novas oportunidades de investimento, principalmente diante da inflação e das incertezas políticas.
Pedro Estevão, presidente da câmara de máquinas e implemento agrícolas da Abimaq, comentou sobre o impacto das altas taxas de juros, da variação cambial e do preço desfavorável das commodities no setor. “Este cenário é decorrente da alta taxa de juros, da variação cambial e do preço desfavorável das commodities”, declarou. Em meio à desmotivação, a expectativa inicial do Banco do Brasil era de captar R$ 3 bilhões em propostas financeiras, valor inferior aos R$ 4,75 bilhões obtidos em 2025, reforçando os sinais de um mercado mais cauteloso.
Qual o impacto das vendas em queda para os empresários?
A diminuição das vendas na Agrishow 2026 levanta questões urgentes entre os empresários do agronegócio. Menos de 197 mil visitantes passaram pelo evento este ano, uma redução significativa que indica um possível esfriamento das intenções de investimento. Entidades como a Abimaq estão monitorando de perto as repercussões deste evento no desempenho futuro do setor. A comparação com a Tecnoshow, que registrou um recuo de 30% nas vendas, sugere que a retração pode ser um sintoma de um mercado mais amplo em transição.
O impacto imediato das quedas financeiras é evidente para os pequenos e médios empresários, que dependem de um fluxo de caixa saudável para operar. A diminuição nos investimentos em máquinas e tecnologia pode resultar em um ciclo vicioso, onde as empresas não conseguem modernizar seus processos produtivos e, consequentemente, falham em competir com grandes players do mercado. É essencial que os empreendedores se adaptem e procurem alternativas de financiamento para inovar.
Quais as expectativas futuras para o setor?
Os desdobramentos das vendas na Agrishow refletem uma tendência mais ampla no setor agro. As vendas de tratores no Brasil foram 9.215 unidades enquadradas entre janeiro e março de 2026, uma queda de 8,64% em relação ao mesmo período de 2025. O cenário para colheitadeiras se mostra ainda mais desafiador, com uma queda de 40,62%. A falta de previsibilidade e as tensões econômicas exigem que o setor busque alternativas para revitalizar as vendas.
A participação do Brasil nas feiras internacionais e a criação de parcerias com fornecedores estrangeiros pode ser uma maneira de reverter essa situação crítica, permitindo que os empresários reduzam custos e melhorem a competitividade. Empresas como a Tritucap, que superou suas expectativas comerciais com inovação em máquinas agrícolas, são exemplos de como a criatividade e a adaptação podem gerar resultados positivos, mesmo em tempos desafiadores.
Como as empresas estão reagindo a este cenário?
Apesar das dificuldades, algumas empresas estão notando resultados positivos. A XCMG Brasil reportou um aumento de 10% nas vendas de máquinas pesadas em comparação ao ano anterior. A companhia lançou novos modelos de tratores, atraindo maior público e reforçando a demanda por inovação e novos produtos no setor. O comportamento de compra dos agricultores também tem mudado, com uma tendência de investimento em equipamentos de alto desempenho, mesmo através de linhas de crédito oferecidas por instituições financeiras.
A Herbicat reportou mais de 300 contatos de potenciais compradores durante a feira, com uma expectativa de conversão de uma parcela significativa disso em vendas futuras. Com estratégias de marketing focadas nas necessidades dos produtores, empresas estão encontrando formas de permeabilizar o mercado mesmo em tempos desafiadores. O setor deve ficar atento às novas oportunidades de mercado que podem surgir com a evolução tecnológica e mudanças comportamentais dos consumidores.
Portanto, a Agrishow 2026, apesar de indicar um retrocesso nas vendas, também sugere um momento crucial para a inovação e o investimento estratégico por parte dos empresários do agronegócio. Com as flutuações econômicas em andamento, é essencial que o setor derive lições dessa edição da feira para se preparar para um futuro mais competitivo e sustentável.



