Alceu Valença celebra 80 anos em show ’80 girassóis’ pelo Brasil

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Alceu Valença revê a obra no espelho cristalino dos 80 anos em show segue pelo Brasil após a estreia no Rio de Janeiro (RJ) — Foto: Rodrigo Goffredo

CRÍTICA DE SHOW

Artista: Alceu Valença

Data e local: 14 de março de 2026 na Farmasi Arena (Rio de Janeiro, RJ)

Cotação: ★ ★ ★ ★

Ao seguir o roteiro do show “80 girassóis” no palco da Farmasi Arena, Alceu Valença propôs viagem ao público que compareceu à estreia nacional da turnê na noite de sábado, 14 de março, no Rio de Janeiro (RJ), cidade que abriga o cantador pernambucano desde 1971.

Houve até ida à lua com “Táxi lunar” (Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho, 1979), momento em que as luzes dos celulares – iluminados a pedido do artista – criaram a sensação de que a arquibancada da arena (mais cheia do que a pista…) era céu estrelado.

Alceu Valença canta à frente de imagens projetadas no cenário criado por Zé Carratu para o show ’80 girassóis’ — Foto: Rodrigo Goffredo

No balanço das duas horas, a viagem transcorreu sem erros, tendo como ponto de artista a cidade natal do artista, São Bento do Una (PE), cuja trilha sonora moldou o som de Alceu no ritmo de gêneros nordestinos como caboclinhos, maracatus, baiões, xotes, martelos agalopados e aboios – matrizes da obra do cantor, compositor e músico pernambucano que, em alguns discos e shows, adicionou o peso do rock a esses ritmos.

Essa base sólida guiou e sustentou Alceu na viagem de “80 girassóis” entre sucessos, eventuais lados B e algumas trocas de figurinos criados pela estilista Isabela Capeto.

Ao relembrar sucessos, Alceu Valença emociona o público

No espelho cristalino em que reviu a obra, Alceu Valença refletiu a influência seminal da música de Luiz Gonzaga – rei vitalício da nação musical nordestina – ao dar voz ao forrozeiro “Pagode russo” (Luiz Gonzaga e João Silva, 1947), composição sempre infalível na animação de plateia, e ao dar ares de fado ao melancólico xote “Sabiá” (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1951).

Depois, à vontade no mar de Pernambuco, Alceu se banhou nas águas da Ilha de Itamaracá ao puxar “Ciranda da rosa vermelha” (Alceu Valença com refrão de domínio público, 1997) e, na sequência, improvisar o canto dos versos “Onda que vai, que vai / Onda que vem, que vem / Eu viajei no olhar dessa morena”, evocando o medley com as cirandas “Luar de prata” e “Ciranda da aliança”, gravadas pelo artista em álbuns de 2006 e 2014.

O espetáculo chega ao auge com clássicos como “Anunciação” e “Tropicana”

O aboio inebriante que introduz “La belle de jour” (1992) – música que se agigantou na obra de Alceu com o passar do tempo – preparou o previsível gran finale com “Anunciação” (1983) e, já no bis, “Tropicana” (Alceu Valença e Vicente Barreto, 1982).

Enfim, o show “80 girassóis” floresceu na estreia da turnê sem reinventar a roda de Alceu Valença, mas com expectativas cumpridas. O cantador fez bonito giro por obra que, assim como o artista, desafia a embolada implacável do tempo com força perene.

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