Alemanha sem rumo: Viagem incerta rumo ao Mundial 2026 nas eliminatórias da Europa

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Maldição do 7 a 1? Após duas Copas ruins, Alemanha chega ao fim das Eliminatórias ainda sem rumo

Seleção de Julian Nagelsmann disputa com Eslováquia vaga direta no Mundial de 2026 e tem risco de ir para a repescagem europeia

Irlanda do Norte 0 x 1 Alemanha | Melhores momentos | 4ª rodada | Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo de 2026

Parece praga de brasileiro. Desde que conquistou o tetracampeonato mundial, em 2014, com direito a um histórico 7 a 1 sobre o Brasil na semifinal, a Alemanha não encontrou mais seu rumo no cenário internacional. Eliminada na fase de grupos das últimas duas Copas, a seleção comandada por Julian Nagelsmann chega à hora da verdade nas Eliminatórias para 2026 ainda em busca de um time que devolva a confiança ao torcedor.

Embora lidere o Grupo A das Eliminatórias da Europa, a duas rodadas do fim, a Alemanha tem na vice-líder Eslováquia uma rival de respeito na busca pela vaga direta para o próximo Mundial – as duas seleções estão empatadas em pontos (nove) e uma delas terá de jogar a repescagem europeia. Nesta sexta-feira, os alemães visitarão a inofensiva seleção de Luxemburgo, que perdeu todos os jogos até aqui, enquanto a Eslováquia receberá a Irlanda do Norte (terceira colocada, com seis pontos, ainda na briga pela classificação). Na última rodada, dia 17, Alemanha e Eslováquia farão um jogo com cara de “decisão” em Leipzig.

Julian Nagelsmann em treino da Alemanha antes da partida contra a Bósnia — Foto: Maja Hitij/ Getty Images

Alemanha nunca fracassou em Eliminatórias

Sufoco para garantir vaga no Mundial é novidade para a torcida alemã. A seleção só ficou fora de duas Copas do Mundo, e nunca por ter fracassado nas Eliminatórias: na edição inaugural, em 1930, o país não aceitou o convite da Fifa para participar do torneio no Uruguai; e em 1950, a Alemanha foi proibida de tentar a classificação para a Copa no Brasil, punida pelo seu papel na Segunda Guerra Mundial.

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Desde então, a seleção tetracampeã sempre garantiu sua classificação em campo, e normalmente em primeiro no seu grupo das Eliminatórias. A caminhada para o Mundial do Japão e Coreia do Sul-2002 foi a única em que a seleção alemã foi vice-líder da sua chave, precisando passar pela repescagem europeia para garantir a vaga. Situação que pode se repetir dessa vez, caso perca para a Eslováquia na última rodada.

Alemanha campeã da Copa do Mundo de 2014 — Foto: André Durão

GERAÇÃO CAMPEÃ SEM SUCESSORES

A geração de 2014, com ídolos do quilate de Thomas Müller, Toni Kroos, Manuel Neuer, Philipp Lahm e Bastian Schweinsteiger, já saiu de cena – a maioria está aposentada do futebol, outros não jogam mais na seleção. Os que tinham a missão de suceder os campeões mundiais – como Kai Havertz, Timo Werner, Ilkay Gündogan, Serge Gnabry, Joshua Kimmich, Julian Brandt e Leroy Sané -, não conseguiram até hoje conquistar totalmente a confiança da torcida, minados pelos fracassos seguidos da seleção.

Florian Wirtz ainda não deslanchou com a camisa do Liverpool — Foto: Getty Images

Alguns deles ainda defendem a Alemanha e têm a chance de reconstruir a história vitoriosa, ao lado de novos talentos como Florian Wirtz, Karim Adeyemi e o lesionado Jamal Musiala, comandados por um treinador também jovem – Nagelsmann tem 38 anos, um a menos que o goleiro Neuer, ainda hoje titular absoluto do Bayern de Munique. Essa nova seleção alemã, no entanto, carrega o peso de quase uma década de incertezas, o oposto da confiança que sempre foi marca registrada da equipe.

Florian Wirtz e a dificuldade de adaptação ao Liverpool

Principal nome da novíssima geração, Wirtz acaba de trocar o Bayer Leverkusen, onde despontou para a seleção com duas temporadas brilhantes, pelo Liverpool, na segunda maior transferência da última janela (115 milhões de euros, equivalente a R$ 797 milhões). O início não está sendo fácil, com atuações abaixo da média, e o técnico Julian Nagelsmann procurou defender a revelação alemã, de 22 anos.

Em entrevista coletiva segunda-feira, no começo da preparação para as Eliminatórias, Nagelsmann responsabilizou a instabilidade geral do Liverpool pelo baixo rendimento do jogador. Sobrou até para os companheiros de ataque de Wirtz.

– O Liverpool poderia ajudá-lo convertendo as chances que ele cria. Ele não está criando poucas chances, mas parece que não querem marcar. Para ser honesto, a situação geral (do time) não facilita para Florian também. O time todo está instável este ano. É normal para um jogador da sua idade ter uma pequena queda, não podemos esperar o mesmo nível por três anos seguidos. O que podemos fazer é apoiá-lo – afirmou o treinador.

Florian Wirtz ainda não deslanchou com a camisa do Liverpool — Foto: Getty Images

NAGELSMANN É CRITICADO POR BOLA DE OURO ALEMÃO

Precisando confirmar a classificação e encontrar um time a sete meses da Copa, Nagelsmann voltou a convocar Leroy Sané após deixá-lo fora da última Data Fifa. Mas deixou claro que sua paciência com o meia-atacante do Galatasaray está se esgotando.

– Leroy sabe o que é preciso. Ele sabe que não haverá inúmeras outras oportunidades para ele se provar sob meu comando na seleção, ele sabe disso. Posso dizer isso abertamente porque já lhe disse isso também – afirmou o treinador na coletiva.

Melhor jogador da Eurocopa de 1996, a última vencida pela Alemanha, o ex-meia Matthias Sammer criticou o ultimato de Nagelsmann a Sané.

– Minha experiência é que os jogadores individualistas precisam de amor, precisam de tanto amor que isso os inspire. É assim que funciona – afirmou, em um programa de TV na Alemanha, o último jogador do país a ganhar a Bola de Ouro, em 1996.

Hansi Flick, ex-técnico da Alemanha — Foto: INA FASSBENDER / AFP

SOMENTE UM TÍTULO APÓS A COPA DE 2014

O título mundial conquistado no Maracanã, em 2014, com a vitória por 1 a 0 sobre a Argentina, foi o apogeu de uma geração vitoriosa, que já tinha mostrado seu valor com a terceira colocação na Copa de 2010, na África do Sul, e o terceiro lugar na Eurocopa de 2012. Com a maioria dos titulares abaixo dos 30 anos – Müller e Kroos, por exemplo, tinham 24 -, não era exagero imaginar a Alemanha dando as cartas por pelo menos mais um ciclo de Copa.

Lahm relembra campanha vitoriosa da Alemanha na Copa de 2014 e se despede da seleção

No entanto, nada deu certo para os tetracampeões desde então. A única conquista após o Mundial de 2014 foi da já extinta Copa das Confederações de 2017, última edição do torneio. No ano seguinte, veio a primeira grande decepção: defendendo o título de 2014, a Alemanha foi eliminada na fase de grupos da Copa da Rússia, a saída mais precoce do país desde o Mundial de 1938. A equipe dirigida por Joachim Löw, o comandante do tetra, perdeu para o México na estreia (1 a 0) e para a Coreia do Sul na terceira rodada (2 a 0). Nem a vitória por 2 a 1 sobre a Suécia evitou que a Alemanha terminasse em último lugar no Grupo F.

Dois anos depois, outro baque: a goleada por 6 a 0 para a Espanha, pela Liga das Nações da Uefa, resultado que deixou Joachim Löw ainda mais enfraquecido no cargo. Em 2021, a eliminação nas oitavas de final da Eurocopa, com derrota por 2 a 0 pela Inglaterra, decretou a saída do treinador após 15 anos.

Joachim Löw, ex-técnico da seleção da Alemanha — Foto: Reprodução

DUAS TROCAS DE TÉCNICO EM DOIS ANOS

Auxiliar de Löw na Copa de 2014, Hansi Flick deixou o comando do Bayern de Munique para tentar colocar a seleção alemã nos trilhos novamente. Com uma geração envelhecida – apenas sete dos 26 convocados tinham menos de 25 anos -, a Alemanha conseguiu repetir a humilhação de quatro atrás, eliminada novamente na fase de grupos. Dessa vez, sem vencer uma só partida: empatou com a Espanha e perdeu para Japão e Costa Rica.

Flick ainda resistiu por mais um ano no cargo, mas foi demitido em setembro de 2023, após três derrotas seguidas, a última delas uma goleada de 4 a 1 para o Japão em um amistoso disputado em Wolfsburg.

Em entrevista ao ge em 2024, relembrando os dez anos do 7 a 1 sobre o Brasil, Joachim Löw avaliou a queda da Alemanha como resultado da perda do que chamou de “automatismos” no jogo da equipe.

– Passamos por uma depressão há alguns anos. Não foi fácil para a equipe. Depois de 2018, houve uma mudança, surgiram muitos jogadores novos, e a seleção tem que se reencontrar um pouco e colocar alguns automatismos em prática – comentou.

Joachim Löw, ex-técnico da seleção da Alemanha — Foto: Reprodução

Para uma seleção que tinha tido apenas dez técnicos entre 1926 e 2021, a Alemanha chegava à segunda troca em dois anos. O jovem Julian Nagelsmann, campeão alemão com o Bayern de Munique na temporada 2021/22, após despontar com bons trabalhos no RB Leipzig, assumiu a responsabilidade de reconduzir os tetracampeões ao sucesso internacional.

No primeiro desafio, a Eurocopa de 2024, como anfitriã, a Alemanha parou nas quartas de final, eliminada pela Espanha, que iria conquistar o título na sequência da competição. A equipe de Nageslamann teve o mérito de alcançar um resultado melhor que os torneios anteriores, mas ficou longe de empolgar a torcida.

A queda na semifinal da Liga das Nações, em março deste ano, e o risco da repescagem nas Eliminatórias mantêm a torcida alemã com a pulga atrás da orelha. É certo que, após a derrota para a Eslováquia na estreia, a seleção engrenou três vitórias e depende só das duas forças para ir à Copa. Em outros tempos, a força do futebol alemão era garantia suficiente para o torcedor sonhar alto. Hoje, restaram a cautela e a desconfiança. Pelo menos até o próximo jogo.

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